Espécies exóticas marinhas como o caranguejo azul ou a amêijoa asiática, que chegam a Portugal presas aos cascos dos navios, vão ser estudadas e quantificadas por investigadores nacionais que pretendem avaliar o prejuízo que causam às espécies nativas, diz a Lusa.

«No Rio Minho, o mexilhão do rio [espécie nativa] foi desaparecendo ao mesmo tempo que aumentou a amêijoa asiática, mas ainda não sabemos se há uma relação directa. É isso que vamos estudar», disse Paula Chainho, investigadora do Instituto de Oceanografia da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

O projecto «Inspect» deste instituto junta universidades, organismos públicos e a Liga da Protecção da Natureza (LPN), com o objectivo de estudar a ameaça das espécies exóticas nos estuários e zonas costeiras do país.

«Vamos apenas estudar as espécies exóticas que chegam através dos cascos dos navios e das águas de lastro», águas transportadas pelos navios para equilibrar o seu peso, adiantou a investigadora.

Estas espécies exóticas são resistentes a condições adversas e reproduzem-se rapidamente, desconfiando os investigadores que sejam responsáveis pela redução das espécies nativas.

Em Portugal, o recenseamento das espécies aquáticas é pontual e não há um inventário sistemático das espécies exóticas, segundo a investigadora.

O projecto já começou em Outubro do ano passado, mas apenas para uma primeira recolha bibliográfica de espécies marinhas. O levantamento das espécies, a começar nas próximas semanas, vai ser feito através da recolha de amostragens por mergulhadores e análises das águas de lastro dos navios que chegam a Portugal.

O «Inspect» pretende identificar também espécies exóticas que já tenham chegado à vizinha Espanha e que devam chegar em breve a Portugal. «Pretendemos depois, com a informação recolhida, informar o público, em especial os pescadores e os aquicultores, dos cuidados a ter para proteger as espécies nativas», contou.