Daryll Rowe, um cabeleireiro britânico de 27 anos foi condenado a prisão perpétua por, intencionalmente, tentar infetar homens que conhecia no Grindr, uma aplicação para encontros homossexuais. De acordo com o jornal “The Independent”, o tribunal deu como provado, em novembro do ano passado, que o homem conseguiu infetar cinco homens e tentou infetar outros cinco.

Esta quarta-feira, quando assistiu à leitura da sentença, não esboçou qualquer emoção. Nem perante o tribunal, nem perante nove das suas 10 vítimas, que estavam presentes.

Rowe foi condenado pelo tribunal de Brighton Crown a uma pena sem termo (o que, na prática quer dizer que pode passar o resto da vida na cadeia) e terá de comprar pelo menos 12 anos antes de pedir liberdade condicional.

Rowe torna-se assim no primeiro homem no Reino Unido a ser considerado culpado de intencionalmente tentar espalhar o vírus da sida.

A juiz Christine Henson referiu-se aos seus crimes como uma “determinada e odiosa campanha de violência silenciosa”

O senhor é o primeiro indivíduo a ser sentenciado por infetar outras pessoas com VIH. Com conhecimento completou do risco a que expôs as outras pessoas e as implicações legais que enveredar por práticas sexuais de risco, o senhor embarcou em práticas sexuais de risco. O senhor embarcou numa campanha deliberada para infetar outros homens com o vírus VIH. Felizmente, para cinco dos homens que o senhor conheceu, não foi bem-sucedido”, disse a juiz.

De acordo com a juiz, as vítimas de Rowe dizem viver com uma espada sobre as próprias cabeças, uma espécie de “sentença de morte” em resultado dos atos que levou a cabo. “Muitos destes homens eram muito jovens, estavam na casa dos seus 20 anos, na altura em que tiveram a infelicidade de o conhecer”, disse ainda a magistrada.

Daryll Rowe foi diagnosticado em abril de 2015, na sua cidade natal, Edinburgo. Depois disso, e numa espécie de vingança, conheceu homens no Grindr e teve sexo com pelo menos oito, em  Brighton, entre outubro de 2015 e Fevereiro de 2016. Depois, já em fuga da polícia ainda fez mais duas vítimas.

De acordo com o tribunal, ele recusou tratamento e os conselhos dos médicos para ter sempre sexo seguro. Insistia em ter sexo desprotegido com as vítimas e, quando estas recusavam, usava preservativos adulterados.

Após a relação sexual, ele tornava-se agressivo. Invariavelmente, as vítimas acabariam por receber a mesma mensagem: “Tenho VIH. LOL. Whoops!”.

Em julgamento, chegou a alegar que estava convencido que estava curado, tendo adotado a prática de beber a própria urina como forma de tratamento e imunização, aliada à toma de medicamentos naturais, à base de orégãos, coco e folha de oliveira.