Pelo menos 214 mulheres e raparigas resgatadas pelo exército nigeriano das “mãos” do grupo terrorista Boko Haram estão “visivelmente grávidas”, reforçando as suspeitas que tenham sido repetidamente violadas pelos captores.

Segundo o “International Business Times”, que cita uma estimativa das Nações Unidas, as 214 vítimas fazem parte de um grupo de 234 mulheres e crianças resgatadas na floresta de Sambisa na semana passada.

Babatunde Osotimehin, diretor executivo do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA, sigla em inglês), diz que estas mulheres precisam de ajuda urgente para que possam ser reintegradas na sociedade.

“Algumas estão visivelmente grávidas e outras deram positivo nos testes. (…) Algumas das mulheres e crianças resgatadas estão [muito piores do que pensávamos] depois do [trauma] que passaram, por isso o acompanhamento tem de ser mais intenso e dirigido para cada [uma individualmente] ”.

Estas mulheres, violadas, casadas à força e até obrigadas a combater pelo grupo terrorista, contam como eram usadas como escravas sexuais e como não tinham qualquer privacidade, nem para ir à casa de banho.
 

"Converteram-me num objeto sexual. Faziam turnos para dormir comigo. Agora estou grávida e não sei quem é o pai", contou, ao jornal nigeriano “Daily Times”, Asabe Aliyu, de 23 anos, sobre o seu cativeiro de seis meses.


“Todos os dias morria uma de nós, e só esperávamos pelo dia que seria a nossa vez. Não nos deixavam mover nem um centímetro, mesmo para ir à casa de banho éramos acompanhadas”, contou Asabe Umaru, outra das vítimas.

O resgate destas mulheres e crianças aconteceu pouco tempo após o primeiro aniversário do rapto de mais de 200 jovens de uma escola de Chibok, no Estado de Borno, que motivou várias campanhas nas redes sociais.
Ainda não se sabe se entre as mulheres resgatadas estão algumas destas jovens.

Números da Amnistia Internacional dão conta que só no último ano cerca de 2000 mulheres e raparigas terão sido raptadas pelo Boko Haram para serem usadas como escravas sexuais, cozinheiras, obrigadas a casarem-se com combatentes ou para serem vendidas.