O Reino Unido recusou o pedido de entrada no país dos familiares de uma menina de cinco anos, que morreu depois de ter sido atropelada por um carro, pouco antes do Natal. Os avós e a tia de Andrea Gada, naturais do Zimbabué, pretendiam assistir ao funeral da neta, mas foram impedidos de o fazer pelo governo de David Cameron.

Apesar de um deputado, familiar da criança, Stephen Lloyd, se ter oferecido para assegurar que os indivíduos regressavam ao país de origem e, mesmo depois de David Cameron ter prometido analisar o caso com atenção, o Ministro da Imigração, James Brokenshire, não autorizou a entrada dos familiares da criança.

A decisão está a ser muito criticada pelos britânicos e o bispo de Chichester afirmou mesmo que se trata de uma «ofensa», conta o «The Guardian».

«Isto não pode estar certo. Isto ofende o nível mais elementar de compaixão humana».


Brokenshire explicou numa carta enviada a Lloyd que, apesar das «circunstâncias trágicas em causa», a sua decisão foi baseada «em todos os factos do caso» e tomada depois de a família não ter apresentado «os requisitos necessários exigidos pelas regras de imigração».

De acordo com o deputado, o ministro apontou três razões fundamentais para a rejeição do pedido: o facto de os familiares nunca terem viajado para fora do Z imbabué antes, o facto de não apresentarem rendimentos suficientes e a hipótese de poderem fugir.

Lloyd condena a justificação, sublinhando que os parcos rendimentos são compreensíveis, dado tratar-se de uma comerciante de rua, de um motorista e de uma cabeleireira, e garantiu que os avós já fizeram uma viagem à África do Sul.

O pai de Andrea afirmou que a família estava devastada com toda a situação. 

«Desde que a nossa querida filha morreu tragicamente tentámos em vão trazer o pai, a mãe e a irmã da minha mulher, que vivem no Zimbabué, para assistir ao seu funeral. Isso iria trazer-nos, a nós e aos nossos dois filhos, mais conforto neste momento de dor», disse.

O progenitor garantiu ainda que vai enviar uma carta a Cameron, pedindo novamente a entrada dos familiares, nem que para isso tenham de lhes ser colocados dispositivos eletrónicos, de modo a assegurar o seu regresso ao Zimbabué.