Os Estados Unidos declararam esta quinta-feira o grupo extremista Estado Islâmico responsável por genocídio de cristãos, ‘yazidis’ e outras minorias religiosas nos territórios que controla no Iraque e na Síria.

O Daesh [acrónimo árabe do grupo] é genocida por autoproclamação, por ideologia e por ação, no que afirma, no que acredita e no que faz”, disse o chefe da diplomacia norte-americana, John Kerry, utilizando um dos nomes que designam o grupo ‘jihadista’.

O Daesh também é responsável por crimes contra a humanidade contra os mesmos grupos”, acrescentou.

A declaração de John Kerry confirma a resolução aprovada esta segunda-feira pela Câmara dos Representantes dos EUA, que chamava de "genocídio" à violência cometida pelo Estado Islâmico no Iraque e na Síria contra cristãos, curdos, yazidis e outras minorias étnicas.

A declaração pode ter implicações práticas, uma vez que os Estados Unidos são signatários de uma convenção da ONU contra o genocídio, aprovada em 1948, que convoca todos os países envolvidos a punir atos cuja intenção seja a de "destruir, totalmente ou em parte, um grupo nacional, étnico, racial ou religioso".

Os Estados Unidos declaram-se ainda dispostos a apoiar uma investigação para classificar como genocídio as atrocidades cometidas.

Os Estados Unidos cooperarão com esforços independentes para investigar o genocídio”, declarou o porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest, acrescentando que Washington deseja ajudar o Tribunal Penal Internacional (TPI) a reunir provas.

Esta é a primeira vez que os Estados Unidos falam em genocídio desde 2004, quando o então secretário de Estado, Colin Powell, qualificou como tal o assassinato de milhares de pessoas em Darfur, no Sudão.

No final do ano passado, o gabinete de direitos humanos da ONU confirmou que foram descobertas 16 valas comuns perto da cidade de Sinjar, no Iraque, onde seriam colocados os restos mortais de dezenas de pessoas que pertenciam àquela religião minoritária.