Duas companhias aéreas da Coreia do Sul, a Korean Air e a Asiana, mudaram as rotas dos voos depois da Coreia do Norte ter avisado que não pode garantir mais a segurança dos aviões, noticiam a BBC e a CNN.

A advertência da Coreia do Norte surge na sequência de um aumento da tensão entre os dois países. O regime de Pyongyang já tinha dito que exercícios militares conjuntos da Coreia do Sul e dos Estados Unidos, que se realizam para a semana, poderiam desencadear um conflito militar. Há muito que a Coreia do Norte qualifica este tipo de exercício anual como «uma provocação».

A Coreia do Norte apresentou este ano objecções a estes exercícios regulares, num raro encontro entre os seus generais e o comando de forças da Organização das Nações unidas (ONU), liderados pelos Estados Unidos na Coreia do Sul. As manobras militares, que se realizam anualmente, deverão este ano envolver milhares de soldados e terão a duração de 12 dias.

Do que conta a BBC, as especulações de que a Coreia do Norte planeia realizar testes com mísseis de longo alcance, lançados a partir de uma base em Hwadae, só contribuíram para alimentar a desconfiança na região.

30 voos por dia

Cerca de 30 voos internacionais sobrevoam todos os dias o espaço aéreo da Coreia do Norte quando saem e regressam à Coreia do Sul.

O correspondente da BBC em Seul, John Sudworth, diz que aviões de passageiros costumam descolar do aeroporto da capital sul-coreana e seguir para os Estados Unidos. Os aparelhos passam pelo Mar do Japão e acompanham a costa coreana em direcção à Rússia e ao Norte do Alasca.

Seul reage

O governo sul-coreano pediu entretanto à Coreia do Norte que «retire de imediato» a ameaça contra estes aviões.

«Uma ameaça militar às operações normais de aviões civis não apenas viola normas internacionais, mas é também um acto desumano que nunca pode ser justificado», refere em comunicado o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Coreia do Sul.

O porta-voz do Departamento de Estado em Washington, Gordon Duguid, sublinha que o governo da Coreia do Norte deveria encontrar formas de cumprir os compromissos para um desarmamento «ao invés de fazer declarações que ameaçam a aviação pacífica».