O presidente russo, Vladimir Putin, reagiu às notícias do desastre aéreo ocorrido esta quinta-feira na Ucrânia, que matou 295 pessoas, e enviou as suas «condolências» ao primeiro-ministro da Malásia.

Segundo informações da agência russa RIA, que cita o site oficial do presidente, Putin enviou as suas «sinceras condolências e apoio a todas as famílias das vítimas».

Vladimir Putin acusou ainda o Governo de Kiev de ser o responsável pelo desastre, uma vez que decidiu retomar a ofensiva contra os separatistas.

«Esta tragédia nunca teria acontecido se existisse paz no local, ou pelo menos se a ofensiva militar não tivesse sido retomada. O Governo do território tem, sem dúvida, responsabilidade por esta tragédia», afirmou Putin, segundo a Reuters, afirmando, ainda, que deu instruções às autoridades russas para que ajudem na investigação com tudo o que puderem.



«Faremos tudo o que pudermos para que se atinja uma resposta clara sobre o que aconteceu. Isto é algo inaceitável», disse o presidente russo.



O avião da Malaysia Airlines sobrevoava a região de Donetsk, na Ucrânia, controlada pelas forças pró-russas. O espaço aéreo já tinha sido fechado à aviação civil a 8 de julho após o abate de um avião militar.

É a segunda tragédia com um avião da Maysia Airlines. O avião que saiu de Pequim com destino a Kuala Lumpur continua a ser o maior mistério da aviação, depois de continuar desaparecido desde 8 de março deste ano.

Na manhã desta quinta-feira, já tinham surgido notícias de que um caça russo teria abatido um avião de combate da Ucrânia com um míssil. O avião terá sido abatido em pleno espaço aéreo da Ucrânia, no leste do país, na zona de disputa entre russos e ucranianos. O piloto conseguiu ejetar-se antes do avião atingir o solo.

Segundo a agência russa «RT», fonte oficial do ministério da Defesa russo afirmou que estas acusações são «ridículas, tal como todas as últimas que o Governo de Kiev tem feito em relação ao ministério da Defesa», [no que toca aos separatistas pró-russos].

«Quase todos os dias» a Rússia «fica exposta» e recebe ameaças de «provas irrefutáveis» que vão provar a culpa do país nos problemas da Ucrânia. Mas todas as vezes «as provas desaparecem misteriosamente», afirmou a mesma fonte.

O Conselho de Segurança da Rússia também emitiu um comunicado, esta quinta-feira, afirmando que Moscovo não está interessado numa guerra com a Ucrânia, que considera uma «nação irmã».

«Nós não queremos uma guerra com a Ucrânia. para nós seria contraprodutivo porque estaríamos a lutar contra um povo irmão», disse Evgeny Lukyanov, vice-secretário do grupo que aconselha o presidente Putin em matérias de segurança.

Já o presidente ucraniano, Petro Poroshenko, já afirmou que criou uma comissão para apurar o que aconteceu ao avião da Malaysia Airlines, quee acredita ter sido abatido pelas forças pró-russas.

«Nos últimos dias este é o terceiro acidente aéreo trágico, depois do abate de duas aeronaves, An-26 e Su-25, das Forças Armadas da Ucrânia. Não excluímos que esta aeronave também tenha sido abatida [por forças pró-russas], e enfatizo que as forças da Ucrânia não tiveram qualquer responsabilidade no que aconteceu», afirmou em comunicado, segundo a ucraniana «Rádio Liberdade» [Радіо Свобода].