A menos de 20 dias para as eleições presidenciais na Rússia, Vladimir Putin, prometeu esta quinta-feira cortar para metade a taxa de pobreza nos próximos seis anos, ou seja, a duração do mandato que deverá garantir nas eleições de 18 de março. No discurso anual perante o Parlamento, o chefe de Estado anunciou também o desenvolvimento de um novo míssil balístico intercontinental capaz de alcançar "praticamente qualquer parte do mundo".

Putin explicou que o desenvolvimento de novas armas no arsenal militar russo são a resposta à retirada dos Estados Unidos, em 2002, do Tratado sobre Mísseis Antibalísticos, assinado em 1972 com a União Soviética.  

Numa sessão solene transmitida pela televisão onde se juntaram as duas câmaras do Parlamento, o presidente russo referiu que o novo míssil intercontinental será "dificilmente intercetado" por escudos antimísseis e consegue alcançar "praticamente qualquer parte do mundo". Trata-se, disse Putin, de um "míssil de cruzeiro de baixo voo, (…) de voo imprevisível, que pode ignorar as linhas de interceção, e é invencível perante os vários sistemas de defesa antimíssil e defesa antiaérea".  

Ninguém no mundo tem algo igual, por agora. É algo fantástico!", afirmou, citado pela agência Reuters

Vídeos projetados num ecrã gigante com infografias da trajetória do míssil sobrevoando o território norte-americano e imagens de testes dos projetéis acompanharam o discurso de Putin.

"Insisto, nenhum país do mundo tem, no dia de hoje, as armas que nós temos. Ponto final", sublinhou, assegurando que a partir de agora, "o sistema norte-americano antimísseis será inútil e não terá sentido".

Antes de termos os novos sistemas de armamento, ninguém nos escutava. Escutam-nos agora!", declarou.

O Sarmat, que a NATO apelida de SS-X-30 Satan-2, é um míssil intercontinental pesado capaz de transportar entre 10 a 15 ogivas nucleares.

Os nossos colegas estrangeiros, como sabem, colocaram-lhe um nome nitidamente ameaçador, Satan [demónio]", sublinhou o presidente russo.

Vladimir Putin anunciou também o desenvolvimento de um novo drone subaquático capaz de transportar ogivas nucleares. 

O presidente argumentou que o poderio militar da Rússia serve para assegurar a paz e a estabilidade no mundo, mas avisa que qualquer ataque com armas nucleares contra a Rússia e aliados terá retaliação imediata.  

Reduzir pobreza para metade

Na primeira parte do discurso, o presidente da Rússia disse que o número de pessoas na pobreza no país - ou seja, que vivem com menos de 150 euros por mês - passou de 42 milhões em 2000 para cerca de 20 milhões atualmente.

Devemos resolver uma das tarefas chave da próxima década: garantir o crescimento sustentado dos rendimentos reais dos cidadãos e, em seis anos, reduzir pelo menos para metade a taxa de pobreza", disse Putin.

A Rússia tem cerca de 146 milhões de habitantes.

No discurso de hoje, perante centenas de responsáveis e deputados, Putin disse que a Rússia tem de dar um salto tecnológico para um futuro desenvolvimento de sucesso.

Considerou imprescindível ampliar o espaço das liberdades e fortalecer as instituições democráticas para garantir o crescimento da Rússia.

Para ir em frente, crescer de forma dinâmica, devemos ampliar o espaço de liberdades, em todas as esferas, fortalecer as instituições democráticas, o autogoverno local, as estruturas da sociedade civil, a justiça", afirmou Putin.

O líder do Kremlin acrescentou que a Rússia deve ser "um país aberto ao mundo, a novas ideias e iniciativas".

Vladimir Putin, cuja taxa de aprovação é superior a 80%, deverá vencer sem dificuldade as eleições presidenciais de 18 de março, às quais concorrem sete outros candidatos.