Os terroristas de Bruxelas deixaram para trás quilos de explosivos e litros de produtos usados para fazer as bombas. Um trabalho que passou despercebido aos vizinhos. Um português que vivia no mesmo prédio, no bairro de Schaerbeek, contou à TVI que nunca desconfiou que alguma coisa de tão errada pudesse estar a ser preparada no apartamento dos vizinhos. Um deles, para todos os efeitos, até tinha um nome bem português: Miguel dos Santos.

“Eu via aqueles bidons de cinco litros. A mim parecia-me um bocadinho estranho. Mas eu não sabia que água era. Pensava que era água e não vi nada de estranho”.

Um dia, os líquidos para fabricarem as bombas infiltraram-se no apartamento de baixo. Este português pensou que fosse uma fuga de água e foi bater à porta dos terroristas. E os vizinhos demoraram a atender:

“Não abriram de imediato. À segunda vez que batemos à porta, muito forte, ele respondeu, mas ainda demorou uns 15 minutos a abrir a porta. Aí achei um cheiro muito forte, que não conhecia, mas que vinha de dentro do apartamento. (…) A cozinha não tinha fuga nenhuma, na casa de banho também estava tudo limpo. Não chegámos a entrar nem no quarto, nem na sala, que estavam fechados à chave.”

“Era um cheiro muito esquisito. Se fosse droga ou uma coisa assim, eu ainda cheirava, mas esse cheiro eu nunca tinha cheirado na minha vida. Era um cheirinho muito estranho e muito forte. Uma pessoa não podia estar lá dentro. Nós fizemos só uma entrada de 15 a 20 minutos e tive de sair porque era cheiro a mais.”

O português ouvido pela TVI achou estranho o comportamento de pelo menos um dos terroristas, durante essa curta visita ao apartamento.

“Quando nós entrámos, a pessoa que estava a fazer aquilo, que nós não sabíamos o que era, mas essa pessoa estava muito nervosa. (…) Soube depois que era ele que fazia as bombas.”

Apesar das suspeitas, só depois dos atentados é que este português juntou as peças e soube quem eram estes homens, ajudando a polícia a evacuar o prédio e a localizar o apartamento.