Um duplo atentado sacudiu, esta terça-feira, a capital da Bélgica. Duas explosões no aeroporto de Bruxelas e uma na estação de metro de Maelbeek, em pleno bairro europeu, onde se situam os escritórios das principais instituições europeias. Os ataques foram levados a cabo em hora de ponta, planeados para serem profundamente mortíferos.

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Duas bombas no aeroporto de Zaventem

Terça-feira, às 08:30 locais (07:30 em Lisboa), três homens foram captados pelas câmaras de segurança do aeroporto a caminhar na zona de partidas do aeroporto. Cada um deles empurrava um carrinho com uma mala. Dois vestiam-se de preto e tinham uma luva na mão esquerda, que serviria para esconder o detonador do cinto de explosivos.

Dois deles haviam de se fazer explodir momentos depois, na zona de check in. O outro não detonou o colete de explosivos. A polícia belga identificou os dois bombistas suicidas como Ibrahim El Bakraoui e Najim Laachraoui. O terrorista que não detonou os explosivos ainda não foi identificado e está em fuga. Este terceiro homem do aeroporto tinha sido identificado inicialmente como Najim Laachraoui,

Horas mais tarde, a polícia revelou que encontrou no aeroporto um cinto de explosivos intacto e procedeu à explosão controlada.

Uma explosão no bairro europeu

Cerca de uma hora depois, às 09:11 (08:11 em Lisboa), Bruxelas volta a ser sacudida por uma explosão. Foi na estação de metro de Maelbeek, conhecido como o bairro europeu, a menos de 500 metros das principais instituições europeias.

Foi aqui que ficaram feridos os dois portugueses cuja identidade é conhecida até agora: uma enfermeira de Coimbra e um jovem de 27 anos. Ao todo, de acordo com o secretário de Estado das Comunidades portuguesas, serão pelos menos 18 os portugueses feridos no duplo atentado de ontem.

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Quem são os terroristas?

Poucas horas depois das explosões, os meios de comunicação belgas começaram a difundir a imagem captada pelas câmaras de segurança de três homens no aeroporto de Zaventem. Seriam os três suspeitos de levarem a cabo o atentado.

A televisão belga RTBF avançou, esta quarta-feira de manhã, com a identificação de dois suspeitos. São os irmãos Khalid e Ibrahim El Bakraoui, já conhecidos das autoridades por banditismo, mas não estavam referenciados por ligações terroristas. Os irmãos, de 27 e 30 anos, já tinham sido condenados, em 2010 e 2011, um por carjacking e o outro por roubo a um corretor da bolsa, segundo o jornal Dernière Heure (DH). 

O mais velho foi detido, cidadão belga, e deportado da Turquia, em junho. A informação foi revelada esta quarta-feira pelo presidente turco Tayyip Erdogan. Ibrahim El Bakraoui  foi deportado para a Holanda, a seu pedido, com o conhecimento das autoridades belgas, que terão ignorado os avisos sobre o facto de o homem ser um jihadista do Estado Islâmico.

Khalid Bakraoui fez-se explodir no metro e o irmão Ibrahim no aeroporto. 

Khalid Bakraoui (REUTERS)

O segundo bombista do aeroporto é Najim Laachraoui, de 25 anos, avança o jornal belga De Standaard. O ADN deste suspeito foi encontrado nos apartamentos alvo de buscas a propósito dos ataques de Paris, de novembro de 2015. Najim Laachraoui terá viajado com Salah Abdeslam para a Hungria, em setembro último. Ele é também suspeito de ter fabricado as bombas usadas nos ataques à capital francesa. 

Já esta quarta-feira foi anunciada a sua detenção, que posteriormente foi desmentida. Inicialmente as autoridades acreditavam que Najim era o suspeito que ainda estava em fuga.

 

Explosivos, químicos e bandeira do Estado Islâmico encontrados em buscas

Logo após os atentados, as autoridades belgas encetaram buscas em vários pontos da capital. Uma das zonas alvo das buscas foi o bairro de Schaerbeek, de onde terão partido os três homens rumo ao aeroporto de Zaventem.

As autoridades encontraram, na sequência dessas buscas, uma bomba pronta a explodir, fabricada com pregos e ligas metálicas, altamente mutiladora, produtos químicos e uma bandeira do Estado Islâmico.

 

Quem são as vítimas?

O número de vítimas é ainda uma questão confusa. Entre os órgãos de comunicação belgas, há quem fale em 34 e há quem fale também em 31. A ministra da Saúde belga adiantou ontem que eram 31 mortos, mas esta quarta-feira, os bombeiros continuam a falar em 34.

Para já, há apenas duas identidades confirmadas. Trata-se de Adelma Ruiz, uma cidadã peruana, casada com um belga, e mãe de duas meninas gémeas. Estava a fazer check in para viajar para Nova Iorque, onde iria visitar a irmã. Uma das filhas ficou também ferida.

O jovem Léopold Hecht, um jovem estudante de Direito, ficou gravemente ferido em Maelbeek. Não resistiu e a sua morte foi confirmada esta quarta-feira. 

 

Estado Islâmico reivindica atentado

Ainda na terça-feira à tarde, o Estado Islâmico emitiu um comunicado onde reivindicava o atentado e falava em “sucesso e vitória” em nome de Alah.

Num comunicado divulgado nas redes sociais, os seguidores do califado dão pormenores dos atos terroristas perpetrados - tudo em nome de Alá - e indicam um número de vítimas acima dos que são avançados pelas autoridades belgas.

Esta quarta-feira, a imagem que se tem de Bruxelas é a de uma cidade completamente sitiada, com muitos militares e polícias nas ruas, onde se multiplicam homenagens.