Uma coligação islamita no Egito exigiu o fim dos confrontos no país, tendo contudo instado os apoiantes do deposto Presidente Mohamed Morsi a manifestarem-se diariamente e de forma «pacífica» a partir de sábado.

«As manifestações de hoje devem acabar com a última oração da noite [prevista para às 18:00 GMT, uma hora mais tarde em Lisboa], a que se seguirão as orações pelos mortos», afirmou à agência noticiosa francesa AFP Gehad al-Haddad, um porta-voz da Aliança contra o golpe de Estado e para a democracia.

O mesmo responsável da coligação pró-Morsi alertou contudo que «haverá manifestações contra o golpe todos os dias» a partir de sábado, repetindo o apelo que já fizera aos seus apoiantes durante o dia de hoje, e que teve por objetivo defender a «legitimidade das eleições» de 2011 e denunciar o «massacre de mais de 600 pessoas», vítimas dos confrontos com a polícia nos últimos três dias.

O Egito está envolvido numa espiral de violência desde quarta-feira, depois de a polícia ter dispersado violentamente os apoiantes de Morsi concentrados em praças da capital egípcia.

Os apoiantes de Morsi convocaram para esta sexta-feira uma jornada «de raiva», apelando à participação em manifestações em todo o país. Os confrontos que se verificaram fizeram pelo menos 91 mortos.

O Egito está sob estado de emergência e o Governo egípcio interino deliberou um recolher obrigatório em metade das províncias do país.