As mulheres têm vindo a afirmar a sua posição e a revindicar os seus direitos na sociedade. Contudo, ainda existem países em que a “liberdade” é limitada. 

Em muitos países do sul da Ásia, estão a aumentar os casamentos com homens estrangeiros. Segundo o relatório da Universidade de Lincoln, que analisou esta problemática, o fenómeno está a crescer: homens britânicos sobretudo, mas também americanos ou canadianos, que casam com mulheres sul-asiáticas para beneficiarem financeiramente disso, mas que depois as abandonam ou sujeitam a violência física e sexual.

Algumas destas mulheres, intituladas no estudo como “mulheres descartáveis”, chegam a viajar com os seus maridos para o Reino Unido, acreditando que a vida irá tomar outro rumo. Porém, ao regressar à Índia, país de origem da maioria, os seus passaportes são confiscados pelos maridos, que as deixam ao abandono. Outras tornam-se “escravas domésticas” dos sogros.

Para os autores do estudo, estes casos deveriam ser encarados como violência doméstica e ter a devida punição.

Uma questão cultural

A vergonha que estas mulheres sentem foi um dos fatores que dificultaram o estudo realizado pelos investigadores, já que passaram mais de um ano para encontrar 57 vítimas na Índia dispostas a relatar os abusos.

De acordo com a tradição comum da Índia e outros países do sul da Ásia, é comum que a família da noiva pague um dote, ou seja, um determinado valor ao futuro marido. Este é pago pelos pais, que acreditam estar a dar um futuro melhor às suas filhas.

Os investigadores relatam casos semelhantes no Paquistão e Bangladesh, onde é comum que um dos conjugues more no Reino Unido, Canadá e Estados Unidos, países de elevada diáspora de sul-asiáticos.

Muitas relatam a sua história com vergonha, arrependimento e algumas até não acreditam que seja possível reaver a sua vida já que, conforme a cultura local,  é possível que não encontrem emprego e toda a sua família fique lesada perante a comunidade.

O estigma é enorme e tem um grande impacto na família. A mulher não conseguirá emprego, enfrentará insegurança financeira e será vista como um produto ‘danificado’ - sobretudo pela presunção de que ela teve relações sexuais”, referiu a investigadora Sundari Anitha.

O relatório recomenda que o Governo britânico reconheça o abandono como forma de violência e ofereça proteção a estas mulheres.