Têm apenas sete e oito anos. Duas crianças foram acusadas de crimes de violação, em Manchester, no ano passado, segundo um balanço da polícia, citado pela Sky News. Como os autores do crime não têm ainda 10 anos, não gozam de responsabilidade criminal. Escapam, assim, a que o caso seja tratado no tribunal.

O rapaz de sete anos é suspeito de violar uma menina de 13. O outro é suspeito do mesmo crime, mas a vítima é uma rapariga perto dos 16 anos. Ambos os crimes ocorreram na área metropolitana de Manchester, Reino Unido.

O caso não chega a bater às portas dos tribunais. As vítimas, para além do crime que sofreram, veem a impossibilidade de ser feita a mínima Justiça. O detetive superintendente Jon Chadwick, em declarações ao Manchester Evening News, explica o que está em causa:

«É sempre perturbador quando crianças muito jovens estão envolvidas em crimes. Por isso é que há uma responsabilidade comum entre as autoridades para responder, não só às necessidades da vítima, mas também do agressor». «Não é só a criança sair de casa e cometer um crime. Há toda uma série de influências que podem levar a um incidente deste tipo»


Estes dois casos estão entre os quase mil em que menores são suspeitos de ter cometido crimes nos últimos três anos. Não estão em causa apenas violações, mas também crimes com armas brancas e droga, por exemplo. Tudo isso está no balanço da polícia, incluindo 119 suspeitos de crimes raciais ou religiosos.

Para se ter uma ideia, ao certo, entre 2011 e 2014, a polícia da região metropolitana de Manchester contabilizou 956 suspeitos menores de 10 anos em 764 casos investigados.

Crianças com comportamentos criminais graves é um cenário que provoca um grande choque social. No Reino Unido, há um lema:  não se pode simplesmente abandoná-las à sua sorte, seja a vítima, seja o agressor.