Atualizada às 14:08

Em Kiev, estão a ser horas sangrentas de confrontos entre manifestantes e polícia. Até agora morreram, pelo menos, 26 pessoas. Segundo o ministro da Saúde da Ucrânia há também mais de 300 feridos. Entre as vítimas mortais estão nove polícias e um jornalista.

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Entretanto, o Presidente, Viktor Ianukovich, falou ao país e culpou os líderes da oposição pela violência. A oposição «ultrapassou os limites» na tentativa de chegar ao poder através das ruas e os seus autores serão julgados, disse.

«Os líderes da oposição têm vindo a negligenciar o princípio da democracia onde o poder é obtido em eleições e não na rua», começou por dizer Ianoukovitch. Depois acrescentou que a oposição tinha ultrapassado os limites «ao chamarem a população para pegar em armas».

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Já nas ruas, os líderes dos protestos culpam as autoridades pela escalada de violência. Por volta das 04:00 da manhã, a polícia de choque conseguiu entrar na Praça da Independência que ficou transformada num mar de chamas.

A polícia utilizou três blindados munidos com canhões de água para entrar na praça e tentar dispersar os manifestantes antigovernamentais. As tendas dos manifestantes pegaram fogo e acabaram por criar uma barreira de fogo para afastar a polícia. Os ativistas ripostaram com cocktails molotov e pedras. Foram também incendiadas pilhas de pneus e madeira para travar a entrada da polícia na emblemática praça.

Referindo-se à Praça da Independência como «ilha da liberdade», os líderes dos protestos apelaram ao Presidente ucraniano para que mande retirar a polícia das ruas e crie condições para que seja declarada uma trégua.

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Vários edifícios públicos estão neste momento ocupados pelos manifestantes.

Ianukovich diz que foram ultrapassados todos os limites e apelou aos opositores que se afastem dos radicais. Garantindo que não é tarde demais para parar os protestos.

Os confrontos entre polícias e manifestantes continuaram noite dentro com a Praça da Independência, conhecida como Maidán, cerca pela polícia.

O líder da oposição Vitali Klitschko deslocou-se esta noite à presidência para um encontro com Viktor Ianukovich, enquanto polícia e manifestantes se defrontavam. O encontro não teve resultados. Ianukovich apontou o dedo à oposição pelas mortes que aconteceram até agora e Klitschko insistiu na retirada da polícia das ruas.

«Ianukovich disse que apenas existe uma opção: evacuar a Praça Maidan [Praça da Independência] e toda a gente tem de ir para casa», disse Klitshcko à televisão independente Hromadske, após o encontro.

Manifestantes invadem Governo e polícia em Lviv

Os manifestantes antigoverno da Ucrânia apoderaram-se hoje de armas numa unidade militar em Lviv, um reduto nacionalista no Oeste do país, segundo um jornalista da France Presse no local.

Após confrontos que envolveram o lançamento de «cocktails molotov», disparados contra edifícios militares, cerca de cinco mil manifestantes tomaram o controlo de depósitos de armas, de acordo com a agência de notícias.

Em solidariedade com os manifestantes que se encontram em Kiev, a capital ucraniana, em Lviv centenas de manifestantes tomaram de assalto, na noite de terça-feira, o Governo Regional e a sede da polícia.