A insurreição pró-russa no Leste da Ucrânia teima em resistir e este sábado deu uma prova de força, abatendo um avião de transporte militar que se preparava para aterrar na cidade de Lugansk. Todos os 49 passageiros a bordo, 40 soldados do Exército nacional e nove tripulantes, morreram no ataque, «cínico e traiçoeiro», classificou o ministro da Defesa, com mísseis antiaéreos.

De acordo com a AFP, o recém-empossado Presidente ucraniano Petro Poroshenko, que reuniu de urgência com o aparelho da segurança nacional, prometeu retaliar contra os responsáveis pelo ataque.

«A Ucrânia precisa de paz, mas os terroristas receberão a resposta adequada. Aqueles que estiverem envolvidos neste cínico ato de terrorismo podem ficar com a certeza de que serão punidos», prometeu.

EUA pedem a Rússia que mostre «claro compromisso» com a paz

O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, pediu este sábado ao homólogo russo, Sergei Lavrov, que Moscovo mostre o «claro compromisso» com a paz na Ucrânia e faça cessar o fluxo de armas e o apoio aos separatistas pró-russos.

Kerry telefonou ao ministro russo dos Negócios Estrangeiros para expressar a «forte preocupação» com o aumento da violência nos últimos dias e com a passagem de armas pesadas e de combatentes através da fronteira ucraniana, disse uma fonte do departamento de Estado norte-americano.

A chamada ocorreu depois de pelo menos 54 soldados ucranianos terem morrido, este sábado, em ataques dos rebeldes pró-russos. Um avião militar ucraniano foi atingido, o que causou a morte de 49 soldados, naquele que foi o dia mais sangrento para as forças governamentais desde o início, há dois meses, da operação antiterrorista no sudeste da Ucrânia.

Rússia critica inação da polícia em ataque à embaixada em Kiev

Por outro lado, a Rússia condenou este sábado a falta de intervenção da polícia ucraniana durante um violento protesto junto à embaixada russa em Kiev, durante a qual os manifestantes quebraram janelas do edifício e destruíram a bandeira russa.

O ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Sergei Lavrov, considerou que a ausência de resposta da polícia representou uma «grave violação das obrigações internacionais da Ucrânia», exigindo que as autoridades de Kiev adotem medidas que garantam a segurança dos diplomatas russos.

Também os Estados Unidos condenaram o ataque e apelaram a Kiev para que garanta a segurança da missão diplomática, em respeito pela convenção de Viena.

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