O prazo concedido pelo Presidente interino da Ucrânia, Alexandr Turchínov, para que os cidadãos pró-russos deponham as armas e abandonem os edifícios públicos que ocupam no este do país terminou às 09:00 locais (07:00 em Lisboa).

O chefe de Estado anunciou na noite de domingo que iria recorrer ao Exército para restaurar a ordem e assinou um decreto que dá garantias aos que acatarem a ordem de que não serão perseguidos judicialmente, desde que não tenham cometido qualquer homicídio ou deixado alguém ferido.

As autoridades ucranianas asseguraram hoje no Conselho de Segurança da ONU que o que está a acontecer no país é «uma operação terrorista em grande escala orquestrada pela Rússia» e garantiram que o seu Governo não permitirá que se repita a situação da Crimeia.

Yuriy Sergeyev, embaixador ucraniano nas Nações Unidas, assegurou que Kiev tem garantias da presença de «forças especiais russas» no seu território que procuram «desestabilizar» a situação em todo o país.

O mesmo responsável explicou que grupos de «10 ou 20» militares russos estão «infiltrados na Ucrânia» para criarem unidades de combate e promover ações contra os interesses governamentais.

Já o embaixador russo na ONU, Vitaly Churkin, negou que Moscovo tenha intervenção nos últimos acontecimentos e advertiu para a «situação extremamente perigosa» que se vive na Ucrânia.

«Alguns, incluindo nesta sala, não querem ver as verdadeiras razões do que se passa na Ucrânia e estão, constantemente, à procura da mão da Rússia atrás do que está a acontecer. Já chega», clamou o embaixador russo na sua intervenção na reunião de urgência do Conselho de Segurança.

O representante russo insistiu na mensagem revelada anteriormente pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros do seu país e sublinhou que cabe ao Ocidente fazer algo para «evitar uma guerra civil na Ucrânia».

Os países ocidentais do Concelho de Segurança da ONU acusaram hoje a Rússia de repetir na zona este da Ucrânia a estratégia implementada na Crimea, e de organizar a ocupação de edifícios inventando uma instabilidade inexistente.

Os «cidadãos preocupados» de Sloviansky e outras cidades estão equipados «exatamente como as tropas de elite que ocuparam a Crimea», afirmou a embaixadora norte-americana, Samantha Power, na reunião extraordinária para tratar da situação na Ucrânia.

«Muitas das unidades que temos visto foram equipadas com coletes anti bala e uniformes de camuflagem», denunciou.