A partir desta terça-feira, Europa e Ásia passam a estar ligadas por um túnel submarino inaugurado na Turquia.

O sonho do sultão do século XIX, Abdul-Mecid I, é finalmente concretizado, com o túnel a ligar a parte ocidental de Istambul à parte oriental, separadas pelo estreito do Bósforo.

A linha ferroviária vai permitir o transporte de 75 mil passageiros por hora em viagens de apenas 4 minutos, no total poderão ser transportados mais de um milhão por dia.

Antes de mais, esta é uma boa notícia para os 17 milhões de habitantes da maior cidade da Turquia, até aqui sujeitos à morosa travessia de barco ou pelas duas pontes, mas, também, para asiáticos e europeus que passam a ter uma ligação rápida entre os dois continentes.

Para o primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, este túnel mais do que ligar a Europa à Ásia, passa a estabelecer uma ligação entre Londres e Pequim.

O túnel nasce de uma parceria entre turcos e japoneses, com Tóquio a financiar cerca de um quarto do total orçamentado, em mais de mais de 3 mil milhões de euros.

Mais do que dinheiro, o Japão contribuiu com o conhecimento tecnológico: os blocos utilizados sob o estreito do Bósforo foram projetados por engenheiros nipónicos e construídos por engenheiros turcos. Cada segmento mede 35 metros e tem uma largura de 15, com um peso a rondar 18 toneladas.

Antissísmico, o túnel chega a uma profundidade de um quilómetro e quatrocentos metros, ficando submerso a 56 metros abaixo do nível do mar, um recorde neste tipo de engenharia.

O novo trajeto foi inaugurado no dia em que a Turquia celebra 90 anos da instauração da república.