Sabia das escutas a Sarkozy? Escutou a ministra da Justiça francesa que ao responder fez com que os franceses escutassem: «não, não sabia». Mas mais depressa se apanha uma ministra com páginas na mão e a mentir que um coxo.

Os media franceses fizeram um zoom in às folhas com que Taubira acenou e nessa imagem mais aproximada conseguiram ler que afinal, desde 26 de fevereiro que a ministra sabia das escutas ao ex-presidente Nicolas Sarkozy, no âmbito da investigação ao alegado financiamento da campanha presidencial de 2007 pelo antigo ditador líbio Muhamar Kadhafi.

As folhas estavam assinadas pela procuradoria, falavam das gravações e tinham como destino a própria Taubira.

O centro direita, hoje na oposição, já veio dizer que o centro esquerda, no poder, estava a usar as gravações como arma de arremesso para descredibilizar Sarkozy e por extensão toda a direita, numa jogada política que podia colher frutos nas eleições municipais de 23 de março.

Mas Sarkozy teve outra vitória, porque, na verdade, quem vê cara não vê gravações. Às escondidas, o conselheiro presidencial, Patrick Buisson gravou horas e horas de conversas de Sarkozy, estivesse este no papel de chefe de estado, político de intrigas e manobras de bastidores, crítico de ministros ou, simplesmente, marido de Carla Bruni.

Esta semana, as gravações foram parar a um site atlântico, com Buisson a explicar que não sabia como tinham ido lá parar e a confessar que fora ele a gravá-las para mais tarde destruí-las.

Mergulhado no escândalo, o ex-casal presidencial assim que veio à tona pôs Buisson em tribunal e ganhou a causa. A justiça ordenou esta sexta-feira que as gravações fossem retiradas do site.