Apesar da crescente indignação do Ocidente pela presença de tropas russas na Ucrânia oriental, Moscovo continua a negar e Vladimir Putin fala de forma cada vez mais desafiadora. O Presidente russo avisou esta sexta-feira que é melhor ninguém se meter com o país, frisando que a Rússia é uma das mais poderosas potências nucleares. Putin comparou também o avanço do exército ucraniano sobre as cidades separatistas com o cerco nazi a Leninegrado durante a Segunda Guerra Mundial.

A Rússia está longe de se envolver em qualquer conflito de larga escala, é o que afirma Vladimir Putin perante milhares de jovens apoiantes. O que não impede o senhor do Kremlin de lançar o aviso ao Ocidente, que tanto se escandaliza com o papel de Moscovo na guerra da Ucrânia.

«Os nossos parceiros, seja qual for a condição em que os seus países se encontram, ou seja qual for o conceito político que seguem, precisam sempre de perceber que é melhor não se meterem connosco. Quero lembrar-vos que a Rússia é uma das mais poderosas potências nucleares. Não são palavras, é a realidade», afirmou o presidente durante um encontro com jovens estudantes russos no fórum Seliger.

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Apesar de sucessivos indícios de incursões de tropas russas na Ucrânia oriental, ao lado dos separatistas, a Rússia jura que, a haver lá soldados seus, só se forem militares de licença, nada de oficial. E mais uma vez, para Putin, os maus da fita são os soldados governamentais, cujo avanço contra Donetsk e Lugansk é comparável com os horrores daquilo a que a União Soviética chamou a Grande Guerra Patriótica.

Quinta-feira à noite, Vladimir Putin apelou, no site presidencial, a que os rebeldes pró-russos abram um corredor humanitário para que tropas ucranianas cercadas possam retirar.

Sexta-feira de manhã, o líder rebelde de Donetsk disse logo que sim, que está disposto a fazer isso. Um entendimento unha com carne, a juntar a tantos outros indícios de que é a Rússia quem verdadeiramente faz a guerra no Leste ucraniano.

Como já tinha sido em março, com a anexação da Crimeia. Agora, quando os rebeldes estavam prestes a perder a guerra, uma nova frente foi aberta no sudeste, tudo indica que com tropas russas mesmo. Avançam para Mariupol, 450 mil habitantes: cidade estratégica para estabelecer uma ligação terrestre entre a península da Crimeia e a Rússia.