O primeiro-ministro ucraniano, Mykola Azarov, demitiu-se esta terça-feira, numa tentativa de aliviar a crise que se vive há cerca de dois meses no país, onde as autoridades não conseguem parar as manifestações contra o Governo. Já o Parlamento, aboliu, por larga maioria, as severas leis anti-manifestação.

«Tomei uma decisão pessoal de pedir ao Presidente da Ucrânia que aceite a minha demissão do cargo de primeiro-ministro, com o objetivo de criar uma possibilidade adicional para um compromisso político de resolução dos conflitos de forma pacífica», disse Azarov em comunicado.

As leis anti-manifestação, que conduziram a uma radicalização da contestação pró-europeia, foram fortemente criticadas pelos países ocidentais, que a viram como um atentado à liberdade. O fim da lei mereceu o voto favorável de 361 deputados e apenas dois votos contra. O resultado da votação foi recebido com aplausos.

A sessão de plenário foi adiada para as 14:00 GMT (mesma hora em Lisboa), mas os deputados devem, em seguida, discutir a aministia dos manifestantes detidos em confrontos com a polícia.

As decisões desta terça-feira acontecem depois de na segunda-feira, o vice-presidente norte-americano, Joe Biden, ter apelado numa conversa telefónica ao Presidente ucraniano Viktor Ianoukovitch para retirar as forças antimotim e trabalhar com a oposição para reduzir as tensões.

Joe Biden advertiu também o Presidente ucraniano que «decretar o estado de emergência ou tomar qualquer outra medida de segurança tão severa iria piorar a situação e reduzir o espaço para uma resolução pacífica» da crise, indicou a Casa Branca em comunicado.

A tensão aumentou desde que em novembro passado o Governo recuou na assinatura de um acordo de associação com a União Europeia em favor do reforço das relações com a Rússia.

Na segunda-feira, o líder da oposição ucraniana Arseniy Yatsenyuk recusou formalmente uma oferta para ser primeiro-ministro, tendo o Governo e a oposição concordado em abolir as controversas leis anti-protesto, anunciou a Presidência da Ucrânia, em comunicado.

No domingo, milhares de pessoas, incluindo líderes da oposição ucraniana, assistiram às cerimónias fúnebres de um jovem manifestante em Kiev, morto na semana passada nos confrontos violentos entre manifestantes e a polícia.

A chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, desloca-se hoje à Ucrânia para tentar ajudar a aliviar a tensão naquela ex-república soviética.

Nos últimos dias, a violência voltou à capital ucraniana e a outras cidades do país, tendo-se assistido à ocupação de edifícios oficiais durante os protestos para exigir a demissão de Víktor Ianukovich e do seu Governo.

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