O presidente da Associação dos Ucranianos em Portugal chama aos acontecimentos na terra natal o início da guerra. Pavlo Sadokha, em entrevista nesta terça-feira na TVI24, contou que falou com amigos que estão em Kiev para dizer que em causa não está uma guerra civil mas sim uma guerra do povo contra um regime corrupto.

«Falando com pessoas que estão na Ucrânia, eles dizem que vão lutar até vencer este regime. O fim desta luta é mudar a Ucrânia, não apenas o presidente Yanukovitch», afirmou Sadokha.

«Tentei falar com um amigo que é deputado no parlamento da Ucrânia e ele simplesmente disse-me que não podia falar, que estava em guerra. Os meus familiares estão muito preocupados, dizem que é o início de uma guerra, não de uma guerra civil e sim do povo, do povo unido, de norte a sul, contra um regime corrupto, contra um regime que vai deixar o poder. O povo ucraniano vai vencer esta guerra», acredita o presidente da associação.

Governo português condena violência e pede regresso urgente ao diálogo

O Governo português condenou hoje «toda a violência» na Ucrânia e apelou para o «regresso urgente ao diálogo», disse à Lusa fonte oficial do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

A mesma fonte afirmou que o executivo está «a acompanhar os acontecimentos na Ucrânia com muita preocupação» e «lamenta a perda de vidas humanas».

«O Governo condena toda a violência e apela ao regresso urgente ao diálogo», acrescentou o ministério de Rui Machete.

A violência dos confrontos entre ativistas antigoverno e a polícia na capital ucraniana, Kiev, aumentou hoje, registando-se seis polícias mortos, «por ferimentos de bala», segundo o ministro do Interior ucraniano.

O governante acrescentou que 159 polícias ficaram feridos, 35 dos quais gravemente.

As autoridades referem a morte de cinco civis, mas um balanço anterior da polícia apontava para sete mortos.

Segundo a oposição, há pelo menos 150 manifestantes feridos, dos quais 30 com gravidade.

O Governo ucraniano fez hoje um ultimato aos manifestantes da oposição para desmobilizarem das ruas da capital, a que se seguiram assaltos da polícia de choque sobre o principal ponto de concentração, a Praça da Independência, onde, segundo vários relatos, se concentravam mais de 20 mil pessoas hoje à noite.

Pelo país, ativistas têm também tomado de assalto sedes dos governos regionais e das polícias locais.