O presidente do comité Nobel norueguês e o premiado deste ano com o Nobel da Paz homenagearam esa terça-feira Nelson Mandela, que recebeu o galardão há precisamente 20 anos.

«A sua vitória sobre o apartheid, a sua recusa em ceder à amargura e à sede de vingança representam uma das maiores vitórias da Humanidade», declarou o presidente do comité Nobel, Thorbjoern Jagland, durante a cerimónia de entrega do Nobel.

«Mandela cumpriu, sem dúvida, os requisitos mais elevados do prémio» Nobel, adiantou.

Mandela, que morreu na quinta-feira, aos 95 anos, recebeu o Nobel da Paz em 1993 em conjunto com o presidente sul-africano de então, Frederik De Klerk, pelos seus esforços de reconciliação após décadas de apartheid.

O diretor da Organização para a Proibição das Armas Químicas, Ahmet Uzumcu, que recebeu esta terça o Nobel 2013 em nome da OPAQ, também saudou o seu antecessor, em quem disse ver «um grande chefe de Estado, um homem de visão, um homem de paz».

«É uma grande honra para mim estar aqui 20 anos depois de Nelson Mandela», declarou Uzumcu à agência France Presse, conforme cita a Lusa.

«Ele foi uma fonte de inspiração para todos da nossa geração e estou certo de que o será para as gerações futuras», adiantou.

Uzumcu falava ao mesmo tempo que, a milhares de quilómetros, perto de Joanesburgo, decorriam as cerimónias fúnebres do primeiro presidente negro da África do Sul, num encontro sem precedentes de líderes mundiais.

Dezenas de milhares de sul-africanos assistem à cerimónia no estádio Cidade do Futebol, no Soweto, após o que o corpo de Mandela vai estar exposto durante três dias na vizinha Pretória, a capital.

No domingo, será finalmente sepultado nunca campa modesta, junto dos mortos da sua família, em Qunu, a sua terra natal, na província do Cabo Oriental.