A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) informou, este sábado, que foram tratados, nos hospitais onde presta apoio na Síria, cerca de 3600 doentes com «sintomas neurotóxicos», dos quais 355 morreram, na sequência do alegado ataque químico que ocorreu na passada quarta-feira. Os MSF alegam que não podem afirmar cientificamente que se tratou de um ataque químico, mas admitem que os indícios são «fortes».

Segundo o comunicado publicado no site da organização, os mais de três mil doentes chegaram durante três horas ao início da manhã de dia 21 de agosto, a três hospitais de Damasco que não tendo médicos da organização no terreno, por razões de segurança, presta apoio a médicos a trabalhar no local.

«O pessoal médico a trabalhar nestas instalações forneceu informações detalhadas aos médicos MSF sobre um grande número de doentes que chegaram com sintomas que incluem convulsões, excesso de saliva, pupilas dilatadas, visão desfocada e dificuldades respiratórias», disse Bart Janssens, diretor de operações dos MSF.

A organização adianta que os doentes foram tratados com atropina, uma substância usada no tratamento de sintomas neurotóxicos, mas adianta que não pode dar certezas sobre a natureza do ataque.

«MSF não podem confirmar cientificamente a causa dos sintomas nem a responsabilidade do ataque», disse o mesmo responsável, que no entanto avança: «Os sintomas dos doentes em conjunção com o padrão dos acontecimentos - com o fluxo massivo de doentes num curto período de tempo, a origem dos doentes e a contaminação de pessoal médico e de primeiros socorros - indica fortemente uma exposição massiva a um agente neurotóxico. Algo que constitui uma violação do direito humanitário internacional, que absolutamente proíbe o use de armas químicas e biológicas».

A organização espera ainda que seja concedido acesso a investigadores independentes para haja «luz» sobre o que aconteceu. Esta sexta-feira, os EUA revelaram que as forças armadas foram mobilizadas para um eventual ataque militar, caso seja esse o entendimento de Barack Obama, e a ONU aumentou a pressão sobre Damasco ao enviar a chefe de desarmamento com o intuito de ter acesso ao local onde ocorreu o alegado ataque químico.