Notícia atualizada às 19:35

O ministro do Interior da Guiné-Bissau, Suka N'Tchama, colocou o lugar à disposição do presidente de transição, na sequência do incidente com o voo da TAP entre Bissau e Lisboa de 10 de dezembro.

«O meu nome foi envolvido e as minhas gentes também, porque no aeroporto é a minha gente que está a trabalhar (...), é tudo pessoal do Ministério do Interior», referiu ao justificar a decisão tomada esta terça-feira.

Suka N'Tchama disse também que deixa o cargo de ministro do Interior nas mãos do presidente de transição para que a comissão de inquérito ao caso possa «fazer o seu trabalho» e adiantou que continuar em funções poderia «desestabilizar ou estrangular inquéritos» que estão a ser realizados.

A tripulação da TAP foi obrigada pelas autoridades guineenses a transportar 74 passageiros com passaportes falsos o que levou à suspensão dos voos diretos entre os dois países.

Questionado sobre o que é que aconteceu na noite de 10 de dezembro, Suka N'Tchama referiu apenas que «só a comissão de averiguação criada pelo Governo é que vai dizer a verdade. Estão a trabalhar e, dentro e em breve, vamos saber o resultado».

O governante disse esperar que se possa «apurar a verdade, que talvez seja diferente daquilo que as pessoas veiculam», como seja, relativamente «ao uso de armas pesadas», entre outros detalhes.

Suka N'Tchama fez questão de realçar que colocou o cargo à disposição, mas que «demissão» é outra coisa, neste caso uma decisão que está nas mãos de Serifo Nhamadjo, presidente de transição.

Nhamadjo ainda não se pronunciou sobre o incidente, nem anunciou se aceita a demissão do ministro dos Negócios Estrangeiros guineense, Delfim da Silva, que anunciou a sua saída do governo na sexta-feira, denunciando «cumplicidades» no aparelho de Estado.

Na sexta-feira, a alta representante da União Europeia para a Política Externa e de Segurança, Catherine Ashton, anunciou que a ordem partiu de «um membro superior das autoridades de transição da Guiné-Bissau».

O jornal «Público» adiantou no sábado que Suka N'Tchama, que tutela a área da segurança interna, terá dado essa ordem. Na segunda-feira foi a vez de o ministro dos Negócios Estrangeiros português, Rui Machete, referir que cada passageiro pagou «uma determinada quantia a uma organização» com pessoas «ligadas a membros do governo da Guiné-Bissau».

Toda a situação está a ser averiguada por uma comissão criada pelo governo de transição que, de acordo com o despacho do primeiro-ministro guineense, Rui de Barros, deve terminar as investigações esta terça-feira e apresentar as conclusões na quarta-feira.

Ao mesmo tempo, foi hoje ouvido pelo Ministério Público e continua detido pela Polícia Judiciária guineense um homem suspeito de ter recrutado os 74 passageiros em Marrocos e de os ter transportado para Bissau.