Notícia atualizada às 11:04

Pelo menos cinco pessoas, entre as quais um ex-ministro e conselheiro do ex-primeiro-ministro libanês Saad Hariri, morreram esta sexta-feira num atentado à bomba que fez mais de 50 feridos, informou a agência estatal NNA.

«Cinco cidadãos morreram e mais de 50 ficaram feridos, enquanto 10 edifícios ficaram muito danificados», disse a agência.

Entre os mortos está Mohammad Chatah, 62 anos, um conselheiro próximo do ex-primeiro-ministro libanês Saad Hariri, que lidera a coligação hostil ao regime sírio.

Chatah, que foi também ex-ministro das Finanças e embaixador em Washington, foi morto quando se dirigia para a casa de Saad Hariri, ausente do país, onde às 09:30 (07:30 em Lisboa) deveria decorrer uma reunião da coligação do «14 de março», hostil ao regime de Bashar al-Assad e apoiante da oposição síria.

O atentado foi perpetrado com um carro bomba e as imagens transmitidas pelo canal Future TV mostram pessoas em chamas, outras deitadas no chão, algumas ensanguentadas, assim como os restos retorcidos de um veículo incendiado.

Ambulâncias e reforços das forças de segurança foram enviados para o local, onde começou a juntar-se uma multidão.

A morte de Mohammad Chatah surge numa altura em que o Líbano se vê envolvido na engrenagem do conflito na vizinha Síria.

A explosão lançou fumo negro sobre a capital do Líbano e sobre o Serail, um grande complexo onde se situam as instalações do primeiro-ministro libanês.

O Serail, situado no topo de uma colina construída pelo Homem e onde estão também o parlamento, bancos e modernos edifícios de vidro, foi destruído durante a guerra civil de 1975-1990.

O ataque recorda, escreve a AFP, que a violência que abalou o país durante a guerra civil nunca está muito longe, e surge numa altura em que o conflito na vizinha Síria estende os seus efeitos ao Líbano.

Aquele conflito, que dura há 33 meses e já terá resultado na morte de mais de 126 mil pessoas, aprofundou as divisões sectárias no Líbano e motivou alguns confrontos sangrentos entre opositores e apoiantes do regime sírio no país, que já acolhe mais de 825 mil refugiados.

Chatah, um influente economista, foi conselheiro dos ex-primeiros-ministros Fuad Siniora e do seu sucessor Saad Hariri.

Hariri lidera a coligação 14 de Março, opositora do regime sírio, um grupo que surgiu depois de o seu pai, o ex-primeiro-ministro Rafiq Hariri, ser assassinado num atentado à bomba em Beirute em fevereiro de 2005, atribuído à Síria.

A coligação apoia os rebeldes sírios que têm combatido o presidente Bashar al-Assad desde março de 2011 com o objetivo de derrubarem o regime.

O poderoso movimento chiita Hezbollah, opositor da coligação 14 de março, enviou militantes para combater ao lado das tropas sírias contra os rebeldes.

O Presidente Michel Sleiman avisou em novembro que o envolvimento do Hezbollah na Síria é uma ameaça à «unidade nacional e paz civil» no Líbano.

O Líbano está há meses sem Governo devido a profundas divisões entre o Hezbollah e os partidos que se opõem à sua intervenção na Síria.