A situação no centro de Kiev ao final da tarde desta quarta-feira era de «algum impasse», com manifestantes barricados atrás das fogueiras que os separam da polícia, relatou à Lusa o embaixador português na capital da Ucrânia, Mário Santos.

Depois dos violentos confrontos de terça-feira à noite em Kiev, Mário Santos indicou ter contactado telefonicamente ao longo desta quarta-feira a maioria dos 25 a 30 portugueses residentes no país, incluindo três dos que residem em Kiev, e assegurou que todos estão bem.

«A situação não mudou muito em relação às últimas horas, é uma situação de algum impasse, preocupante, obviamente», disse o embaixador, contactado telefonicamente pela Lusa para Kiev.

«Mantêm-se os manifestantes na Maidan [ou Praça da Liberdade] e a polícia continua a controlar dois acessos à praça (...) E é aí que se verifica um pouco dessa confrontação, como se vê na televisão, com fogueiras que são alimentadas continuamente e que servem um pouco de barreira entre as duas partes», explicou.

No resto da capital, por onde transitou nesta quarta-feira de automóvel, «a vida corre mais ou menos normalmente», com «limitações» devido ao trânsito, que é mais intenso devido ao encerramento do metro por razões de segurança, dado que a estação Maidan «é umas das principais de cruzamento de várias linhas».

«Os nossos cidadãos estão bem»

De resto, relatou, os outros transportes, as escolas e as empresas funcionaram normalmente.

Mário Santos aproveitou o dia de hoje para tentar contactar os portugueses no país, a maior parte residente fora de Kiev, tendo conseguido falar com quase todos, incluindo três dos «seis ou sete» que residem em Kiev.

«Estão todos bem, todos os nossos cidadãos estão bem, trabalharam hoje, as empresas funcionaram, nomeadamente em Odessa, Lviv», disse, acrescentando que tudo corre normalmente, embora com alguma apreensão.

«Tudo corre mais ou menos normalmente, o que pode não ser normalmente pela apreensão que as pessoas têm, mas tudo funcionou, tudo funciona», considerou.

«Telefones funcionam»

O conselho da embaixada a todos os portugueses é que «evitem deslocações desnecessárias e evitem ir para zonas onde possa haver manifestações».

Sobre informações que têm surgido nos últimos dias dando conta de dificuldades nas comunicações telefónicas e na interrupção da emissão de rádios ou televisões que transmitem os protestos, Mário Santos afirmou não se ter apercebido de qualquer tipo de mau funcionamento.

«Não, sinceramente não, os telefones funcionam (...) Durante a noite acompanhei [a situação] em direto, sempre através de canais ucranianos (...) e não senti nenhuma interrupção, nenhuma quebra de sinal, foi tudo normal», disse.

A crise política na Ucrânia começou em finais de novembro quando milhares de pessoas saíram às ruas para protestar contra a decisão do Presidente de suspender os preparativos para a assinatura de um acordo de associação com a União Europeia e de reforçar as relações com a Rússia.

A situação agravou-se na terça-feira à noite com violentos confrontos entre a polícia e manifestantes na Praça Maidan, junto ao Parlamento de Kiev, que se saldaram em pelo menos 26 mortos e centenas de feridos.