Os colégios eleitorais no Egito abriram esta terça-feira as portas para um referendo à nova Constituição do país, um passo decisivo na legitimação do novo poder transitório, na sequência da destituição do Presidente islamita Mohamed Morsi pelos militares.

Mais de 52,7 milhões de eleitores estão hoje e quarta-feira convocados para votarem o novo texto.

Todas as previsões indicam que o novo texto será plebiscitado por uma clara maioria, fornecendo por fim uma «base legal» ao executivo de transição e abrindo o caminho para novas legislativas e presidenciais que deverão decorrer até final de 2014.

Na sequência do afastamento de Morsi, o parlamento também foi dissolvido e a Constituição, redigida por uma assembleia constituinte de maioria islamita, suspensa e sujeita a diversas emendas.

Após o afastamento do primeiro Presidente democraticamente eleito no Egito, que se manteve no poder apenas um ano e não resistiu à sequência de grandes manifestações no final de junho, as diversas forças políticas islamitas divergiram na posição face ao «golpe militar», enquanto os seus opositores «laicos» e «anti-islamitas» também não apoiaram em uníssono o novo Governo interino.

Assim, o projeto de Constituição é apoiado e rejeitado nos dois campos, motivando uma divisão entre antigos aliados.

Explosão no Cairo

Um engenho explosivo que visava um tribunal da cidade do Cairo deflagrou esta terça-feira pouco antes das assembleias de voto terem aberto para o referendo constitucional que os partidários do ex-Presidente Mohamed Morsi querem boicotar, revelou uma fonte do Ministério do Interior.

O atentado não causou vítimas e é o último de uma série de ações violentas desde que os militares derrubaram Morsi do poder em julho.

O Governo interino do Egito egípcio salientou que o referendo de hoje e quarta-feira integram um conjunto de votações que vão restaurar as eleições no final do ano.