O comandante do exército tailandês, que hoje proclamou a lei marcial, declarou hoje a censura dos meios de comunicação social, no interesse da «segurança nacional», segundo uma declaração transmitida em todas as estações de televisão e rádio.

O exército «proíbe todos os meios de comunicação de divulgarem ou distribuírem quaisquer informações ou fotografias prejudiciais à segurança nacional», disse o general Prayut Chan-O-Cha na declaração.

O exército tailandês declarou hoje a lei marcial no país, com a ressalva de não se tratar de um golpe de Estado, depois de meses de protestos contra o governo, que causaram 28 mortos e centenas de feridos.

Muitos soldados foram destacados esta manhã para as ruas do centro de Banguecoque. Soldados armados e em veículos blindados tomaram posições no distrito comercial, zona dos hotéis e perto das estações de televisão, noticia a agência France Press.

Entretanto, militares também cercaram um protesto pró-governamental dos «Camisas Vermelhas» na capital da Tailândia, disse o líder dos manifestantes.

Japão preocupado com situação

O ministro porta-voz do Governo japonês disse hoje que Tóquio está «seriamente preocupado» com os acontecimentos na Tailândia, horas depois de ter sido declarada a lei marcial.

«Temos sérias preocupações em relação à situação na Tailândia», disse o ministro porta-voz japonês, Yoshihide Suga, recomendando a todas as partes envolvidas para «a agirem de forma contida e sem recurso à violência».

«Esperamos verdadeiramente que as diferenças entre as partes envolvidas sejam resolvidas pacificamente através do processo democrático», acrescentou.

Também a Indonésia, parceiro chave da Tailândia no bloco da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), expressou hoje a sua «profunda preocupação» depois de o exército tailandês ter imposto lei marcial no país.

«Temos estado profundamente preocupados (...) na sequência dos desenvolvimentos na Tailândia», disse o ministro dos Negócios Estrangeiros indonésio, Marty Natalegawa, em declarações à agência AFP.

O chefe da diplomacia recordou que «a Indonésia tem apelado regularmente para o respeito pelo processo constitucional e pelos princípios democráticos, a fim a promover a reconciliação nacional e a unidade, em reflexo da vontade do povo tailandês».

Washington adverte que lei marcial tem de ser «temporária»

Washington manifestou, entretanto, a sua preocupação relativamente à crise que se vive na Tailândia, advertindo que a imposição de lei marcial pelo exército tem de ser temporária e não pode minar a democracia.

Os Estados Unidos estão preocupados com a crise política que se vive na Tailândia e instam «todas as partes a respeitarem os princípios democráticos, incluindo o respeito pela liberdade de expressão», afirmou a porta-voz do Departamento de Estado, Jen Psaki, em comunicado.

O exército da Tailândia declarou hoje a lei marcial no país, ressalvando que ¿não se trata de um golpe de Estado¿, visando antes restaurar a ordem, depois de meses de protestos antigovernamentais, que causaram 28 mortos e centenas de feridos.