Atualizado às 16:58

O clima de tensão entre os Estados Unidos e a Rússia devido à situação da Crimeia, na Ucrânia, aumentou muito nas últimas horas. O presidente norte-americano, Barack Obama anunciou, esta quinta-feira, que vai alargar as sanções impostas à Rússia devido à situação na Crimeia e, minutos depois, a Rússia respondeu avisando que também vai decretar sanções a representantes oficiais norte-americanos, escreve a Reuters.

O chefe máximo da Casa Branca anunciou que já assinou a ordem que vai permitir as novas penalizações e que estas podem abranger setores chave da economia russa. Barack Obama afirmou ainda estar preocupado com as recentes ameaças de Moscovo nas regiões sul e leste da Ucrânia.

Minutos depois, era a vez de a Rússia responder. Moscovo anunciou que vai aplicar sanções a representantes oficiais norte-americanos, como resposta ao congelamento de alguns bens e suspensão de vistos. Entre os nomes divulgados pelas autoridades da Rússia encontramos o de Benjamin Rhodes, John Mccain Harry Reid e John Boehner.

«Que não haja quaisquer dúvidas: a cada ato hostil, nós responderemos de maneira adequada», avisou o Ministério dos Negócios Estrangeiros russo em comunicado, precisando que as sanções visam conselheiros de Obama e membros do Congresso, a quem a entrada na Rússia passa a estar vedada a partir de agora.

«Não cessámos de advertir que a aplicação de sanções é uma faca de dois gumes que atingirá os próprios Estados Unidos como um boomerang», acrescentou, considerando que esta forma de agir é «despropositada e contraproducente».

Após Barack Obama anunciar as novas sanções, fonte oficial da Casa Branca avançou que estas incluem o nome de mais 20 pessoas próximas de Putin, ligados à situação na Crimeia, que vão ficar com vistos cancelados ou bens congelados.

Entre eles, encontra-se o banco russo Rossiya que vai ter cerca de 20 mil milhões de dólares «congelados», avança a Reuters.

Além da banca, a nova ordem de alargamento das penalizações norte-americana também deverá incluir outros serviços provenientes da Rússia e áreas sensíveis como, por exemplo, Finanças, energia, minas, engenharia e defesa, acrescentou a mesma fonte oficial.

Bulgária contra sanções económicas

Entretanto, a Bulgária já fez saber que «não irá apoiar sanções económicas à Rússia em larga escala, até a União Europeia analisar o impacto dessas medidas». A afirmação foi feita pelo primeiro-ministro búlgaro, Plamen Oresharski, avança a Reuters.

Na base desta decisão está o facto de a Bulgária ser um dos países mais afetados caso as sanções económicas avancem. Por exemplo, 90% da energia consumida internamente país vem da Rússia.

Apesar disso, a Bulgária apoia outras formas de sanções como o alargamento do cancelamento de vistos a mais personalidades ou o congelamento de mais bens.

«A história irá julgar-nos»

De visita à Rússia, para um encontro com Putin, o Secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon já fez saber que mostrou ao chefe de governo russo «a sua preocupação» pela atual situação na Crimeia e que alertou para «possíveis ramificações do conflito». «A história irá julgar-nos» pela forma como «lidarmos com esta crise», afirmou Ban Ki-Moon, lembrando que «pequenos incidentes podem escalar numa espiral sem controlo».



Para Ban Ki-Moon, a atual situação é «um risco para os países envolvidos e para outros» em seu redor, sendo que «se está numa encruzilhada». O responsável máximo das nações Unidas apela, por isso, a que todos se contenham em provocações e ações que possam fazer escalar a violência.