É um verdadeiro bebé milagre. Pela primeira vez, uma criança conseguiu nascer no termo da gestação três meses após a morte da mãe. A menina húngara nasceu após ter sido declarada a morte cerebral da mãe, vítima de um derrame.

A mulher morreu grávida de 15 semanas, mas a equipa médica conseguiu manter o corpo a «funcionar», apenas como incubadora da filha, permitindo que o feto se desenvolvesse e sobrevivesse «cá fora». A partir das 20 semanas de gestação, altura em que os bebés já ouvem, as enfermeiras começaram «a falar com a barriga» e o pai e a avó iam ao hospital com frequência, acariciar a barriga e «falar» com a criança.

Apesar de todos os riscos, a menina agarrou-se à vida até atingir a maturidade às 37 semanas e, nessa altura, a equipa médica achou que estava na altura de submeter o corpo da mulher em morte cerebral a uma cesariana. Estávamos em julho e hoje, passados mais de três meses, a menina já recebeu alta e está bem, segundo a Europa Press.



Este caso tem, no entanto, levantado questões éticas, legais e até económicas. Depois da cesariana, as máquinas foram desligadas. A mulher morta deu vida a uma criança e salvou mais quatro pessoas, através da doação dos órgãos. Manter o corpo daquela mulher morta a trabalhar custou ao Estado húngaro cerca de sete mil euros.