No próximo domingo, os brasileiros terão de escolher entre manter Dilma Rousseff na presidência ou abrir um novo ciclo político, com o social-democrata Aécio Neves. O jornalista Victor Moura-Pinto retrata o que está em jogo, numa grande reportagem que passou esta noite, no Jornal das 8 da TVI, com imagem de Nuno Quá e edição de imagem de João Pedro Ferreira.

Nas grandes cidades brasileiras vivem-se dias de insatisfação. Dos transportes aos hospitais, das escolas às indústrias, nada parece funcionar sem dificuldades. E agora 142 milhões de eleitores vão decidir, já no próximo domingo, se o governo Dilma deve continuar a gerir o país.

Os partidos tremem e os mercados param, suspensos do resultado. Vem aí uma reviravolta no Brasil? A política, a sociedade e a economia do Brasil andam agitadas. Ou o Partido dos Trabalhadores conseguirá mais uma vez manter-se no poder. Pela ferocidade da campanha eleitoral, Lula e os seguidores mostram que vão vender cara a pele.

Para melhor entender o momento brasileiro, a TVI foi ouvir testemunhos e análises de vozes autorizadas: Reinaldo Azevedo, um dos principais comentadores políticos, Esther Solano Gallego, investigadora de movimentos radicais, Demétrio Magnoli, sociólogo e colunista de grandes jornais, Pablo Ortellado, professor de Teoria Política, Paulo Ito, da nova geração de artistas de rua...

Muitos gritaram por mudança nas históricas manifestações do ano passado. Por isso ou por causa do ceticismo gerado pela corrupção endémica, a presidência Dilma corre perigo. Quem tomar no domingo o palácio do Planalto terá, essa é outra certeza, um Brasil muito desigual e instável para liderar.

Sondagens renhidas

Até à votação de 26 de Outubro serão divulgadas pesquisas eleitorais todos os dias. As duas últimas sondagens, desta segunda-feira, mostram que os dois candidatos estão taco a taco. Na prática, há um empate técnico, embora exista uma ligeira vantagem para Dilma Roussef.

Segundo a sondagem da empresa MDA, a atual presidente e candidata do PT ganharia a eleição do próximo domingo com 50,5% dos votos, contra 49,5% para Aécio Neves, do PSDB. A diferença é contudo mínima e está dentro da margem de erro do inquérito de opinião.

Já a sondagem da Datafolha apresenta Dilma com uma vitória mais clara, de 52%, contra os 48% de Aécio, que se beneficia do apoio da ex-candidata Marina Silva. Ainda assim, tecnicamente mantém-se o empate, porque a margem de erro, aqui, é de dois pontos percentuais.

De realçar que, desde o início da campanha para a segunda volta, as sondagens têm revelado um contingente de indecisos. Esta é, contudo, a primeira vez que os inquéritos de opinião colocam a atual chefe de Estado brasileira à frente do antigo governador de Minas Gerais.