A China anunciou oficialmente que vai restringir o número de viagens dos residentes de Shenzhen para Hong Kong, após protestos na antiga colónia britânica contra o chamado «comércio paralelo» de alimentos na fronteira entre as duas cidades.

A partir desta segunda-feira, os residentes de Shenzhen só poderão entrar em Hong Kong uma vez por semana, com uma estadia máxima de sete dias em cada visita, segundo um comunicado difundido pelo Ministério de Segurança Pública, através da agência Xinhua.

Anteriormente, os residentes de Shenzhen desfrutavam de múltiplas entradas em Hong Kong, uma medida introduzida em abril de 2009 e que, só nesse primeiro ano, atraiu 1,4 milhões de turistas, segundo o jornal «South China Morning Post».

A nova medida pode reduzir o número de visitantes até 30%, o que se traduzirá em perdas económicas equivalentes a 4,3 milhões de euros por ano.

A limitação surge semanas depois de os residentes de Hong Kong terem saído à rua para protestar contra o «comércio paralelo», em que centenas de pessoas, atraídas pelos baixos impostos na ex-colónia, entram diariamente no território, a partir da China, para comprar artigos e revendê-los nas cidades onde vivem.

Em particular, os chineses compram com frequência produtos lácteos estrangeiros, por temerem que os nacionais sejam de baixa qualidade, depois de um escândalo em 2008 em que morreram seis bebés e mais de 300.000 pessoas foram afetadas por leite em pó infantil contaminado com melamina.