O Supremo Tribunal britânico decidiu, na terça-feira, desligar as máquinas que mantêm vivo um bebé de um ano. 
 
O menino nasceu prematuramente e houve várias complicações no parto, que nunca permitiram que o bebé fosse para casa dos pais e estivesse sempre ligado a máquinas de respiração assistida.

Passado um ano, o NHS (equivalente ao Serviço Nacional de Saúde em Portugal), anunciou aos pais que o hospital ia desligar as máquinas porque o diagnóstico não encontrava hipóteses de recuperação da criança.

Os pais, inconformados, recorreram para os tribunais, contestando a decisão do hospital e alegando que as complicações do parto foram culpa dos profissionais de saúde que assistiram a mãe e o bebé.

Mas, mais do que a condenação dos médicos que fizeram o parto, os pais – nunca identificados por razões legais – queriam que o tribunal anulasse a decisão dos serviços de saúde e desse tempo ao bebé para recuperar, porque, como disse a mãe ao tribunal, «os milagres acontecem». O pai reforçou que o filho reagia ao ambiente em seu redor e que nenhum médico tem «o direito ou o privilégio» para pôr termo à vida do filho, como refere o «The Telegraph».

Argumentos que não convenceram os médicos que «não quiseram ouvi-los», segundo afirmaram, ou a juíza que decidiu o caso. Embora tenha admitido tratar-se de uma decisão difícil de tomar, a magistrada considerou que o bebé tem «danos cerebrais irreversíveis», conforme cita a BBC, pelo que no «melhor interesse da criança», a decisão de desligar o ventilador foi tomada.

A defesa do NHS disse compreender a posição dos pais, mas «infelizmente, o milagre que a mãe pede é muito pouco provável que venha a acontecer», um argumento que teve em conta vários pareceres pediátricos.

A advogada da família da criança reagiu à decisão do tribunal dizendo que «os pais estão devastados e profundamente tristes».

Na sentença, a juíza também entendeu não ficar provada a culpa dos profissionais que assistiram a mãe e o bebé no parto.