O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, disse na terça-feira estar disposto a dialogar com a oposição no país, no âmbito da mediação proposta pelo presidente da República Dominicana e pelo antigo primeiro-ministro espanhol José Luis Zapatero.

Quero anunciar que (...) aceito esta nova jornada de diálogo"

O chefe de Estado venezuelano falava na televisão oficial do país, referindo-se ao que apelidou de convite de Danilo Medina e de José Luis Zapatero.

Maduro indicou que este repto permite iniciar, muito brevemente, "uma nova jornada de diálogo para a paz e para a democracia venezuelana".

No entanto, a aliança da oposição venezuelana Mesa de Unidade Democrática (MUD) rejeitou o reinício de um diálogo com o Governo de Nicolás Maduro, por considerar que não existem condições para uma negociação séria.

"A MUD reitera que não há um reinício do diálogo. O convite do Presidente Danilo Medina não representa o início de um diálogo formal com o Governo. O tempo de gestos simbólicos terminou. Para entrar numa negociação séria, exigimos ações imediatas que demonstrem a verdadeira disposição para resolver os problemas do país e não para ganhar tempo", explicou a MUD.

Têm-se registado dezenas de mortes desde abril, em confrontos entre o exército, grupos armados e civis. Houve mais de 80 manifestações com consequências trágicas, numa altura de grande crise no país.

Ontem, a oposição venezuelana denunciou que o Governo estava a negar-se a autorizar a entrada no país de 900 contentores de medicamentos provenientes da Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.

O Governo nacional (venezuelano) não dá autorização, no seu empenho por fazer que o mundo acredite que aqui não há uma crise humanitária e isso é sumamente grave"

A propósito, na última sexta-feira, Maduro acusou os Estados Unidosde, com o "bloqueio económico", estarem a impedir o país de comprar insulina e alimentos para distribuir às camadas mais pobres da população, a preços bonificados.