Valentina já não quer morrer. «Há pessoas que me fizeram mudar a maneira de pensar», disse.

Há um mês o mundo ficou a conhecer Valentina, uma menina de 14 anos, que queria morrer já que sofre de fibrose quística, uma doença que já lhe levou o irmão com apenas seis anos.

Determinada e com a ajuda dos pais, Valentina Maureira, da sua cama de hospital, pediu a alta intervenção da presidente do Chile, que não mudou a lei, mas a visitou naquela que tem sido a sua «prisão», a sua «casa», a sua vida»: a cama do hospital.



Esta visita acabou por ter os seus efeitos. A visita de Michelle Bachelet à menina correu mundo. Bachelet pode não ter permitido a sua morte e pode mesmo vir a salvar-lhe a vida. Cedo para dizer isso. Mas, a esperança regressou ao coração da menina e dos pais.

O jornal «El Mercurio» relata a visita de uma família argentina a Valentina Maureira. Através de um contacto feito por amigos no Facebook, conseguiram chegar à fala com a família Maureira e foram de propósito visitar a adolescente.

«Há pessoas que me fizeram mudar a maneira de pensar», disse Valentina, como contou o pai Freddy Maureira ao jornal.


Essa pessoa é Maribel, 22 anos, também vítima da doença que afetou os três filhos da família. Ainda presente na memória desta família argentina está a morte da filha, em janeiro, de 2013, quando aguardava por um transplante de pulmão.

Maribel Oviedo é a sobrevivente deste caminho de «dor e angústia» por que passaram também os seus pais que, ao jornal, «reviram o seu percurso no desespero da família» Maureira, acrescentando que «não é ela que tem que baixar os braços. Quem decide se vamos morrer ou viver é Deus», Segundo Ernesto Oviedo.

Os Oviedo passaram uma mensagem positiva e de esperança. Maribel tem 22 anos, sofreu um transplante de pulmão e é agora uma jovem «normal».

Maribel não trouxe um pulmão compatível a Valentina, mas trouxe-lhe fé. E Valentina já não quer morrer.
A Fibrose quística é uma doença genética e hereditária que afeta as glândulas exócrinas, ou seja, as glândulas responsáveis pela segregação de líquidos para o interior dos canais e que se manifesta no anormal funcionamento de vários órgãos, principalmente o pâncreas, os pulmões e os intestinos. 

Apenas 45% das pessoas que sofrem desta doença conseguem atingir a idade adulta. 
 
Segundo a Associação Nacional de Fibrose Quística, em Portugal nascem cerca de 30 a 40 crianças por ano com esta doença. 

Em todo mundo estima-se que perto de 60 mil pessoas sofram de fibrose quística, ou seja são portadoras de dois genes anormais e que sete milhões sejam portadoras, ou seja possuam somente um gene e portanto os sintomas não são percetíveis.