«Quero a sua aprovação para receber uma injeção que me ponha a dormir para sempre». É este o pedido emotivo de uma jovem de 14 anos à Presidente do Chile, Michelle Bachelet. Valentina Maureira é a adolescente portadora de fibrose quística que está a emocionar o mundo.

O vídeo, publicado há cerca de uma semana na página de Facebook da jovem, mostra Valentina a fazer um apelo que contraria a lei chilena, que proíbe a morte assistida. A publicação tornou-se viral e acabou por chegar à destinatária pretendida, Michelle Bachelet, Presidente do Chile.
 

«É impossível não ficar abalado emocionalmente com o pedido da rapariga, mas é igualmente impossível realizar o seu desejo devido à lei chilena», respondeu o porta voz da presidente, Alvaro Elizalde.

Apesar de não conceder a autorização de eutanásia, uma semana depois do pedido, a Presidente chilena visitou a jovem internada no hospital de Santiago e  mostrou o apoio a Valentina e à família, que já perdeu um menino de seis anos portador da mesma doença. A presidência divulgou mais tarde as fotografias da visita.
 


A Fibrose quística é uma doença genética e hereditária que afeta as glândulas exócrinas, ou seja, as glândulas responsáveis pela segregação de líquidos para o interior dos canais e que se manifesta no anormal funcionamento de vários órgãos, principalmente o pâncreas, os pulmões e os intestinos.

Apenas 45% das pessoas que sofrem desta doença conseguem atingir a idade adulta.

Apesar de não escolher sexo, a doença de elevada taxa de mortalidade, atinge de forma desigual pessoas de diferentes etnias. Nos Estados Unidos, por exemplo, a fibrose quística mata 1 em cada 2500 bebés de raça branca, 1 em cada 17 mil de raça negra, enquanto é rara em indivíduos asiáticos.

Segundo a Associação Nacional de Fibrose Quística, em Portugal nascem cerca de 30 a 40 crianças por ano com esta doença.

Em todo mundo estima-se que perto de 60 mil pessoas sofram de fibrose quística, ou seja são portadoras de dois genes anormais e que 7 milhões sejam portadoras, ou seja possuam somente um gene e portanto os sintomas não são percetíveis.