Cerca de 400 a 500 migrantes furaram o cordão policial na Hungria perto da fronteira com a Sérvia, testemunharam os repórteres da AFP no local, notando que fugiram em todas as direções, gritando "Não ao campo".

A fuga ocorreu perto da cidade fronteiriça de Roszke, onde os migrantes têm de esperar num ponto de inspeção antes de serem levados para um centro de registo próximo.

Gritando 'No camp', fugiram em todas as direções, com alguns a dirigirem-se para uma autoestrada que foi posteriormente fechada pela polícia.

Só na terça-feira, as autoridades da Hungria intercetaram 2.770 refugiados que cruzaram ilegalmente a fronteira com a Sérvia, elevando o número de imigrantes que chegaram ao país este ano para 170.000. 

Esta quarta-feira, na estação de comboios de Keleti, em Budapeste, continua a verificar-se uma situação idêntica à que se verificou nos dias anteriores: centenas de refugiados tentam aceder aos comboios que vão diretos para a Áustria ou Alemanha.

Ainda assim, a situação em Keleti parece ter estabilizado, já que a maioria dos refugiados tem conseguido seguir viagem em pouco tempo, em direção à fronteira austríaca.

A crise de refugiados que afeta a Europa obrigou a Comissão Europeia a apresentar uma proposta de distribuição de mais 120 mil refugiados pelos estados membros.

O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker sublinhou, no discurso sobre o estado da União Europeia, que se trata de uma iniciativa com caráter urgente e obrigatório.

"Proponho hoje a recolocação de mais 120 mil pessoas que estão na Itália, Grécia e Hungria e isto tem que ser feito de modo vinculativo."


Estes 120 mil requerentes de asilo acrescem aos 40 mil, cuja transferência de um Estado-membro para outro (relocalização) na UE tinha já sido proposta por Juncker em maio. Assim, Juncker sublinhou que um total de 160 mil pessoas deverão ser acolhidas "de braços abertos".