No final do encontro que juntou os ministros dos negócios estrangeiros dos seis países fundadores da UE, em Berlim, a mensagem ao passada ao Reino Unido foi de "urgência". Diplomatas querem "divórcio rápido" com a União Europeia, após vencer o Brexit no referendo da passada quinta-feira.

O ministro francês dos Negócios Estrangeiros, Jean-Marc Ayrault sublinhou, sem se conter nos termos, que é uma falta de respeito por parte do Reino Unido brincar “ao gato e ao rato” com a Europa.

Segundo Ayrault, o Reino Unido deve indicar, em breve, a cláusula do artigo 50 da União Europeia que permite iniciar o processo de saída da instituição. Os 27 membros precisam de dar à Europa novas propostas para que o populismo não tome lugar:

É claro que o novo primeiro-ministro britânico precisará de alguns dias, mas é algo urgente,”disse Ayrault à imprensa.

 

É do interesse britânico e do interesse dos europeus que não haja um período de incerteza, teria consequência financeiras, bem como consequências políticas e económicas,” acrescentou o ministro francês.

O chefe da diplomacia francesa frisou que os encontros europeus não se devem focar somente na Alemanha e França, “abrindo espaço” para outros estados-membros que não estão totalmente integrados.

Não nos devemos fixar na ideia de flexibilidade. Já existe uma Europa a duas velocidades.”

Também o ministro dos negócios estrangeiros da Bélgica, Didier Reynders, fez declarações quanto à necessidade de resposta da Europa em relação às questões de imigração, segurança e emprego.

O chefe da diplomacia alemã, Frank-Walter Steinmeier, adotou um tom mais cauteloso e acrescentou que a Europa não deve aceitar a incerteza política, com vista à preservação do “projeto de liberdade e estabilidade”, deixando um aviso:

É claro que agora temos uma situação que permite a histeria e a paralisia”

 

Isto não serão negócios como normalmente”

 

Os britânicos votaram, esta quinta-feira, para sair da EU, forçando à demissão do primeiro-ministro, David Cameron. Esta decisão mudou a conceção de unidade europeia, uma ideia promovida e defendida desde o final da Segunda Guerra Mundial.

Os restantes membros da União deverão iniciar conversações para definir os termos a saída do Reino Unido e a futura relação dos britânicos com o bloco europeu.

Comissário europeu britânico apresenta demissão

Jonathan Hill anunciou hoje que se demite do cargo de comissário europeu na sequência dos resultados do referendo de quinta-feira. O comissário mostrou-se “muito desapontado” com o desfecho do brexit.

"Posto que passamos para uma nova fase, eu não acredito que esteja certo prosseguir como comissário britânico como se nada tivesse acontecido", afirmou num comunicado Hill, que tinha a pasta da Estabilidade Financeira, Serviços Financeiros e União dos Mercados de Capitais.

"Em linha com o que tinha falado com o presidente da Comissão há algumas semanas, eu disse-lhe que me demito", afirmou Hill numa alusão ao líder da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker.