A União Africana (UA)  advertiu o Governo provisório do Burkina Faso que tem duas semanas para entregar o poder a um governo civil antes de enfrentar sanções.
 
Segundo a agência Reuters, que cita o chefe do Conselho de Paz e Segurança da organização, a União Africana não ficou satisfeita com a forma como os militares tomaram o poder, mas só irá impor sanções caso o governo não se prolongue mais que duas semanas, uma vez que a saída do presidente foi motivada pela população.
 
«A União Africana está convencida que a mudança [de regime] não favorece a democracia. No entanto, foi a pressão popular que levou à resignação do presidente. (…) Tivemos em conta a origem da revolta popular que levou à tomada de posse dos militares, por isso determinamos um período de duas semanas e [somente] após esse período aplicaremos sanções», disse Simeon Oyono Esono aos jornalistas.
 
O presidente do Burkina Faso, Blaise Campaoré, demitiu-se na passada sexta-feira, após 27 anos no poder, depois de dois dias de grandes protestos contra uma lei que possibilitaria a extensão do mandato presidencial.
 
Ao contrário da União Africana, Campaoré deu um período de 90 dias para que fossem marcadas eleições.
 
O tenente-coronel Isaac Zida foi escolhido pelos militares para novo chefe do governo provisório, escolha que, no entanto, já foi contestada pela população através de uma manifestação na capital, Ouagadougou, que exige a devolução do poder aos civis.
 
«A vitória conquistada com a insurreição popular pertence ao povo e por conseguinte a gestão da transição pertence-lhe legitimamente, não podendo ser confiscada pelo exército», lia-se num comunicado conjunto da oposição ao governo e organizações da sociedade civil.