O ministro dos Negócios Estrangeiros francês confirmou este sábado que dois jornalistas franceses foram assassinados no norte do Mali, em Kidal, depois de terem sido levado por homens armados.

«Claude Verlon e Ghislaine Dupont, jornalistas na RFI, foram encontrados mortos no Mali, disse o ministro numa declaração. «Eles tinham sido raptados por homens armados em Kidal», clarificou.

Os dois jornalistas da Radio França Internacional foram vistos pela última vez pelas 13:00 quando foram agredidos com coronhadas e metidos dentro de um jipe bege, conta a RFI. A emissora diz que esta foi a última vez que foram vistos e que desde então não conseguiram estabelecer contacto com os enviados especiais.

Esta era a segunda vez que os jornalistas estavam no Mali, a primeira foi em julho, aquando da primeira volta da eleição presidencial no país.

Os presidentes de França e do Mali afirmaram hoje a determinação mútua de perseguir e vencer «o combate comum contra o terrorismo», na sequência do rapto e morte dos dois jornalistas franceses no país africano.

Num contacto telefónico, François Hollande e Ibrahim Boubacar Keita «deixaram clara a vontade de continuar, sem tréguas, a luta contra os grupos terroristas que mantêm presença no Norte do Mali», de acordo com um comunicado do palácio do Eliseu, em Paris.

Hollande tinha já anunciado uma reunião com alguns ministros franceses para «estabelecer claramente as circunstâncias dos assassínios» dos dois jornalistas da rádio francesa RFI.

Ibrahim Boubacar Keita apresentou ao homólogo «as condolências do povo maliano, na sequência do homicídio dos dois jornalistas da RFI».

«Os homicídios odiosos cometidos hoje em Kidal (norte) vieram reforçar a determinação dos dois Estados em continuar e vencer este combate comum com o terrorismo», indica o comunicado do Eliseu, citado pela agência noticiosa francesa AFP.

Em comunicado, a redação da RFI afirmou estar «em estado de choque» com a notícia do rapto e homicídio do jornalista Ghislaine Dupont, de 51 anos, e do técnico de reportagem Claude Verlon, de 58, «dois grandes profissionais e especialistas em questões africanas há vários anos».

«Todas as equipas da RFI e do grupo France Médias Monde estão chocadas, profundamente tristes e indignadas, e os seus pensamentos estão com as famílias e amigos» das vítimas, adianta.

Os dois jornalistas estavam a fazer «uma reportagem no terreno sobre o quotidiano dos malianos na véspera de realização de eleições legislativas», numa operação especial de emissões da RFI, a partir de Bamako, no dia 07 de novembro.

«Esta operação foi anulada hoje», anunciou a rádio.

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