«Sérias divergências». Não é ninguém de fora que o diz. O alerta vem do próprio Kremlin, através de um porta-voz, que assegura que está longe de estar tudo bem, ou melhor, entre o Presidente russo, Vladimir Putin, e a chanceler alemã, Angela Merkel. Mais uma vez, a Ucrânia no centro da discórdia.

«Ainda há sérias divergências relativamente à génese do conflito interno na Ucrânia e às causas de fundo do que está a acontecer atualmente», disse o porta-voz, segundo as agências noticiosas russas, que são citadas pela Lusa. 

Uma declaração que surge depois de conversações entre os dois líderes, que se encontraram pessoalmente, em Milão, na quinta-feira à noite,  à margem da cimeira Europa-Ásia (ASEM ), que se realiza esta sexta-feira de manhã.

Entre vários líderes europeus presentes estarão não só Putin e Merkel, mas também o primeiro-ministro ucrâniano, Poroshenko. Esta  será a última oportunidade para evitar a continuação do conflito, com um eventual corte do fornecimento do gás russo à Ucrânia e países do leste europeu. 

Da parte portuguesa, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, entende que esta é, seguramente, uma oportunidade que deve ser agarrada. E o facto de os dois rivais Putin e Poroshenko estarem juntos na cimeira «é muito importante». 

O  Presidente francês, François Hollande, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, e os dirigentes da União Europeia, Herman Van Rompuy e Durão Barroso, também participam na mini-cimeira. Ambiciona-se alcançar uma solução pacífica para o conflito na Ucrânia.