As dúvidas sobre o que aconteceu há uma semana em São Paulo, na casa da família Pesseghini, sempre existiram. Mas a rapidez com que as autoridades afirmaram que os indícios apresentados apontavam para que a autoria do massacre fosse do jovem Marcelo escamotearam as suspeitas. Agora, depois do choque, as incongruências do caso começam a fazer eco na imprensa brasileira.

Esta segunda-feira, George Sanguinetti, médico legista e professor da Ufal (Universidade Federal de Alagoas) declarou, primeiro a pedido da imprensa e depois na página do Facebook, que a posição do corpo de Marcelo Eduardo Bovo Pesseghini, de 13 anos, mostra que não houve suicídio e que o jovem foi assassinado.

O médico conceituado é conhecido por ter refeito perícias em casos mediáticos. O corpo de Marcelo Eduardo foi encontrado junto ao dos pais, na casa onde moravam, na zona norte de São Paulo. Segundo a polícia o jovem é o único suspeito de ter morto o pai, a mãe, a avó e uma tia-avó. A polícia sustenta ainda que o jovem foi à escola depois dos homicídios e que quando voltou a casa suicidou-se.

Desde o início da investigação que as autoridades descartaram a possibilidade da família ter sido alvo de uma vingança ou ajuste de contas, uma vez que os pais de Marcelo eram ambos operacionais da Polícia Militar.

O médico legista analisou as fotografias da cena do crime, entretanto divulgadas pela imprensa brasileira, e considerou que a posição do corpo de Marcelo diz claramente que o garoto não foi o autor do tiro que o matou, pois a mão direita estava em cima do lado esquerdo da cabeça e o braço esquerdo, dobrado para trás, com a palma da mão esquerda aberta para cima. Segundo Sanguinetti, essa posição não é a de uma pessoa que se suicidou.

«Não estou contestando o trabalho da Polícia de São Paulo, apenas estou apresentando a «linguagem do cadáver de Marcelo», onde diz claramente que não foi autor do tiro que o matou», explicou.

Sanguinetti explica também que seria impossível o rapaz, considerado canhoto pela polícia, disparar a arma com a mão esquerda e a mão direita ser encontrada na posição mostrada na foto, em cima do lado esquerdo da cabeça. A adensar as dúvidas está ainda o facto de não ter sido encontrada pólvora e outros resíduos nas mãos do jovem.

Esta segunda-feira foi ainda conhecida uma carta da criança para o pai que demonstra a profunda relação de afetividade entre os dois. A família sempre contestou a possibilidade de ter sido Marcelo o autor dos crimes, alegando que a relação familiar era excelente. A imprensa revela ainda que na garagem da casa uma repórter encontrou uma chave, enrolada num papel, que será da porta principal da casa e não seria pertença de ninguém da família.

Confrontada pelos jornalistas, a Polícia reafirma que Marcelo continua a ser o principal suspeito, mas já admite que todas as hipóteses estão a ser investigadas e que o caso «não está fechado».