O escritor João Ubaldo Ribeiro, de 73 anos, morreu na madrugada de sexta-feira, no Rio de Janeiro, Brasil, segundo a GloboNews. O autor de «O Sorriso dos Lagartos» morreu em casa, na sequência de uma embolia pulmonar.

João Ubaldo Ribeiro nasceu em Itaparica, na Bahia, no dia 23 de janeiro de 1941. Escritor, jornalista e professor, iniciou a sua vida profissional em jornalismo, em 1967, como repórter no «Jornal da Bahia» e, posteriormente na «Tribuna da Bahia» onde foi editor-chefe.

Formou-se em Direito, em 1962, pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), mas nunca chegou a advogar. Era pós-graduado em Administração Pública pela UFBA e mestre em Administração Pública e Ciência Política pela Universidade do Sul da Califórnia.

Trabalhou também como professor na Faculdade de Filosofia da Universidade Federal da Bahia e na Universidade Católica de Salvador.

«Setembro não faz sentido», foi o primeiro romance escrito pelo autor, em 1963. Foi também autor de várias obras como «A Casa dos Budas Ditosos», «Viva o povo brasileiro», «Sargento Getúlio», entre outros.

Iniciou-se como escritor infantil em 1983 com «Vida e paixão de Pandonar, o cruel».

Várias obras do escritor foram adaptadas ao cinema e à televisão. «Sargento Getúlio» foi um dos livros adaptado ao cinema e «O Sorriso do Lagarto» adaptado à televisão numa mini série da TV Globo.

Recebeu por duas vezes o Prémio Jabuti da Câmara Brasileira do Livro, em 1972, de Melhor Autor, por «Sargento Getúlio», e, em 1984, de Melhor Romance, por «Viva o povo brasileiro». Em 2008 ganhou o Prémio Camões, o mais importante da literatura portuguesa.

Ubaldo Ribeiro passou grande parte da sua vida fora do Brasil. Nos Estados Unidos como estudante e, posteriormente, como professor convidado, em Portugal, onde chegou a viver um ano em 1981, com uma bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian e na Alemanha, publicando crónicas semanais para o jornal Frankfurter Rundschau.

Vários editores já reagiram à morte do escritor. Ubaldo Ribeiro é «um escritor inconfundível, a obra que nos deixa, muito diversa e rica, passa a ser, a par das memórias pessoais de quantos o conheceram, a sua residência no futuro», afirmou à agência Lusa o presidente da Associação Portuguesa de Escritores, José Manuel Mendes.

«Não digo adeus a João Ubaldo. Sei que há muitos lugares comuns para a folia, a suave tristeza, a partilha da revolta e da esperança, a contraditoriedade. Mesmo que o momento vista as cores de um luto branco e intenso», acrescentou José Manuel Mendes.

Nelson Matos, editor e livreiro, teceu também vários elogios ao escritor. «Não deixa escola, pois o seu trabalho era de muita criatividade e originalidade e, portanto, difícil de ter continuação», declarou Nelson à agência Lusa.