Tortura, fome, doenças, falta de assistência médica, execuções. A Amnistia Internacional diz que estas foram causas da morte de mais oito mil homens e rapazes detidos pelas forças armadas da Nigéria, durante a campanha contra os islamistas do Boko Haram.

A organização humanitária quer, por isso, que importantes figuras militares do país sejam investigadas por eventuais crimes de guerra e contra a Humanidade.

As conclusões da investigação constam de um relatório de 133 páginas. Nelas são recolhidos os depoimentos de vítimas, familiares e testemunhas. Ao todo, foram realizadas 400 entrevistas junto de diversas fontes relacionadas com estes abusos. Um documento acompanhado por vídeos e fotografias - muito deste material chocante.  

"Este relatório apresenta casos de execuções extrajudiciais, muitas mortes sob detenção, tortura, desaparecimentos forçados e detenções em massa arbitrárias", disse em conferência de imprensa Anna Neistat, diretora de investigação da Amnistia Internacional.


A responsável assinalou que o objetivo é que o documento produza consequências. "Neste relatório, nomeamos os oficiais que acreditamos serem individualmente responsáveis ou que têm responsabilidades de comando por estas violações. Alguns estão nos mais altos níveis do comando militar na Nigéria", salientou.

"Em primeiro lugar e acima de tudo apelamos a uma investigação para estabelecer a responsabilidade deles e levá-los à justiça", acrescentou.


A Amnistia Internacional indica que entre os milhares de pessoas que foram detidas indiscriminadamente, em zonas de influência do Boko Haram, foram identificadas crianças com apenas nove anos.

Há indicações que 1200 destas pessoas foram executadas e que mais de sete mil morreram de fome e doenças em locais de detenção sobrelotados.

A cúpula militar nigeriana defende-se destas acusações. Em comunicado, o major general Chris Olukolade acusou a organização humanitária de pretender "chantagear" o exército.
 

O recém eleito presidente do país africano, Muhammadu Buhari, comprometeu-se com o combate ao Boko Haram, um grupo que há seis anos tenta criar um califado no nordeste do país. Mas já avisou que quer ver investigadas as acusações de violações dos direitos humanos por parte do exército.