O Governo espanhol decidiu hoje gastar 2,1 milhões de euros para reforçar a segurança na fronteira entre Marrocos e os seus territórios norte-africanos de Ceuta e Melilla para combater a imigração ilegal.

Os dois territórios, que constituem as duas únicas fronteiras terrestres da União Europeia com África, assistiram nos últimos meses a uma vaga de travessias ilegais de fronteiras por cidadãos africanos em busca de uma vida melhor na Europa.

Em dois incidentes separados no mês passado, entre 800 e 1.000 migrantes treparam a tripla vedação de seis metros de altura de Melilla.

A maior parte do dinheiro destinado pelo Governo para aumentar a segurança nessas fronteiras será gasto na instalação de redes que tornarão mais difícil subir a vedação que cerca os dois territórios.

«O objetivo é reduzir, tão rapidamente quanto possível, os ataques à fronteira e limitar os graves e imediatos riscos que estes representam» para os migrantes e para a guarda fronteiriça, indicou o executivo espanhol num comunicado emitido após uma reunião de conselho de ministros que aprovou a medida.

Além de tentarem saltar a vedação fronteiriça à volta de Melilla, os candidatos a imigrantes tentam também velejar ou nadar até Melilla e Ceuta, situadas na margem do Mediterrâneo oposta à de Espanha.

A 06 de fevereiro, cerca de 15 migrantes morreram afogados em águas marroquinas quando tentavam nadar para Ceuta partindo de uma praia próxima.

No ano passado, 4.235 migrantes entraram ilegalmente em Ceuta e Melilla, um aumento de 48,5 por cento em relação ao número registado no ano anterior.

O ministro do Interior espanhol, Jorge Fernández Diaz, estimou, a 04 de março, que existiriam 40.000 migrantes à espera para atravessar de Marrocos para Ceuta e Melila.

Mais 40.000 aguardam para entrar em Marrocos a partir da Mauritânia, em trânsito para chegar àquelas duas cidades espanholas, indicou.

Espanha instou a União Europeia a fornecer mais dinheiro e recursos para deter o crescente número de migrantes africanos que tentam entrar na Europa.