Os jornalistas de duas televisões turcas estão a tentar manter a funcionar as suas estações, esta quarta-feira, depois da polícia da Turquia ter tomado de assalto a sede de uma empresa de comunicação com ligações a uma figura crítica do Governo.

A Bugun TV e a Kanalturk conseguiram manter as emissões a funcionar até as 17:00 (hora local), mesmo depois de a polícia ter entrado nos edifícios. Os agentes usaram gás lacrimogéneo e jatos de água para dispersar os funcionários que tentaram impedir o avanço das autoridades e, ao final da tarde, os ecrãs das duas estações ficaram a negro.
   
O grupo Koza-Ipek Holding é acusado de ter ligações ao movimento liderado por Fethullah Gulen, um clérigo islâmico moderado que vive nos EUA, e de financiar, recrutar e fazer propaganda a favor do imã Fethullah Gülen, principal rival do presidente Erdogan, que lidera uma ONG e várias empresas que o governo chama de "organizações terroristas".

O governo turco acusa agora a companhia de tentar destabilizar o estado e afirma que está apenas a cumprir uma ordem judicial que determina a investigação das relações entre a empresa e o movimento.

Na terça-feira, um tribunal de Ankara decidiu apreender os ativos da empresa. Já os ataques desta quarta-feira fazem parte de uma ofensiva mais ampla contra os meios de comunicação da oposição do país que têm vindo a ser fortemente criticados pela comunidade internacional.

Os Estados Unidos já criticaram o ataque e condenaram a decisão do tribunal no Twitter, afirmando que acreditam que a "liberdade de imprensa/expressão são direitos universais". "São essencial para sociedades democráticas saudáveis".
   
O ataque policial faz parte de um processo em curso desde dezembro de 2013 contra várias figuras governamentais acusadas de corrupção e próximas do Presidente Recep Tayyip Erdogan.

Este domingo os turcos regressam às urnas para votarem nas eleições parlamentares depois do partido no poder, AKP, ter perdido a maioria a 7 de junho.