Na capital turca, Ancara, o presidente turco Recep Tayyip Erdogan reforçou a retórica anti-Ocidente que tem vindo a marcar o seu discurso, afirmando que os tempos em que o país era submisso e se vergava a todas as exigências dos países ocidentais chegaram ao fim.

O Ocidente quer que a Turquia cumpra as suas exigências sem colocar questões... Tenho pena de lhes dizer que essa Turquia já não existe", afirmou Erdogan, num encontro com deputados do seu partido.

A reafirmação da posição de força surge no dia em que a União Europeia e a Turquia levam a cabo mais uma reunião tendo em vista uma eventual adesão do país ao bloco europeu.

Em Bruxelas, enquanto se reúnem altos representantes da União Europeia com o ministro dos Negócios Estrangeiros da Turquia, manifestantes mobilizados pela Amnistia Internacional protestam contra as recentes detenções de ativistas pela polícia turca.

Na passada semana, um grupo de ativistas pelos direitos humanos, que incluía um cidadão alemão, foi detido e acusado de crimes relacionados com terrorismo.

Ainda antes dessas detenções, um jornalista alemão de origem turca fora também detido, alegadamente, por espionagem e por dar ajuda aos rebeldes curdos.

As detenções levadas a cabo pelo poder turco acentuaram um conflito diplomático com a Alemanha, além de terem levado a Amnistia Internacional a apelar à União Europeia para pressionar a Turquia a libertar incondicionalmente os ativistas detidos.

Conversas em alta voz

Em Bruxelas, o ministro turco Mevlut Cavusoglu reúne-se com a italiana que chefia a diplomacia da União Europeia, Federica Mogherini, e outros comissários europeus, onde se inclui o austríaco Johannes Hahn, que relembrou na segunda-feira, o que ocorreu num anterior encontro.

Disseram-me na última vez em que me encontrei com o ministro dos Negócios Estrangeiros [turco]... qualquer um noutra sala podia ouvir a nossa conversa", contou  Johannes Hahn.

Há três décadas que a Turquia solicitou a sua adesão à União Europeia. As negociações começaram em 2005, mas até agora, dos 16 dossiês avaliados, só um, relacionado com ciência e pesquisa, foi provisoriamente concluído.

As negociações desta terça-feira em Bruxelas deverão abordar questões como o acesso dos turcos ao espaço da União Europeia, imigração e luta contra o terrorismo. A manutenção da pena de morte na Turquia continua a ser o maior entrave à adesão.