Na última quarta-feira, Seifeddine Rezgui, 23 anos, encontrou-se com quatro ou cinco amigos em Gaarfour, acabado de chegar de Kairoaun, onde estudava. Durante um café, falaram de futebol, raparigas e breakdancing. Fãs do Club Africa, campeão da Tunísia, até cantaram músicas do clube. No dia seguinte, visitou o seu tio e “atualizou-se” nos assuntos familiares, dada a sua estadia fora da terra-natal. Uma rotina natural para quem estuda fora.

Sexta-feira, Rezgui entrou no hotel Riu Imperial Marhabaem, em Port El Kantaoui, na costa oriental, a 140 quilómetros a sul de Tunes, e de Kalashnikov na mão matou a tiro 39 turistas estrangeiros, incluindo uma portuguesa, em nome do Estado Islâmico.

Novamente, a ameaça terrorista tomou o rosto de um jovem que não dava sinais de radicalização, pelo contrário, até parecia abraçar a cultura ocidental, através da música e do desporto. Tal como os dois tunisinos que protagonizaram o ataque ao museu de Bardo, em março, também Rezgui não deu sinais de que se tinha tornado um militante do Estado Islâmico.

Fã de breakdance, como mostra um vídeo divulgado pelo The Guardian, de clubes de futebol como o Real Madrid e de um estilo de música tão ocidental como é o hip-hop, nada fazia antever que Rezgui cometeria o maior ato terrorista do EI na Tunísia.
 

 
vidéo de seif rezgui realiser par khomsi maher

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Posted by Ezzouhour magique gaafour on Terça-feira, 28 de Dezembro de 2010


Apesar de vir de uma família humilde, Seifeddine já tinha um diploma universitário e trazia esperanças de uma vida melhor para os seus familiares. Era praticante da religião, mas nunca falava dela, nem com amigos. Não demonstrava qualquer ligação a um grupo extremista, pois apesar de ter feito um passaporte em 2013, nunca o usou. Aliás, justamente, por não ter viajado, as autoridades estão certas de que teve ajuda a planear o ataque. Uma ligação a alguém que terá fornecido a arma e o ensinou a usá-la - ao ponto do assassino estar calmo durante o ataque e soltar gargalhadas enquanto matava os estrangeiros.
 

 

“Quem poderia imaginar que ele ia cometer este horror? Talvez tenha mudado onde estudou, talvez tenha sido na internet. Mas não temos quaisquer respostas”, disse Ali Rezgui, tio de Seifeddine, à Reutes.


Um amigo de Rezgui, Mohammed, contou à Reuters que está em choque com o que aconteceu, e não consegue crer que alguém que julgava conhecer tão bem, tenha sido capaz de se “tornar um assassino”.
 

“Não mostrou quaisquer sinais de extremismo ou algo do género. Ele nunca falava de religião. É chocante veres alguém com quem passaste muito tempo, um amigo, tornar-se um assassino”.