Mais de 170 tubarões foram capturados na Austrália e 50 foram mortos, na sequência de uma política de abate que está a gerar controvérsia no país. Os números foram revelados pelo governo, que também explica que o objetivo da medida é «restaurar a confiança» entre os banhistas no Estado da Austrália Ocidental. Os adversários do Governo têm sido bastante críticos, depois de se verificar que, entre os animais capturados, não há um único tubarão branco, a espécie mais frequentemente acusada de ataques fatais contra humanos.

De acordo com o jornal «The Independent», o programa experimental consistiu em colocar barreiras de rede nas águas das sete praias mais populares do estado. Sendo que os tubarões-tigre foram os mais comumente capturados. O maior tubarão capturado foi em Floreat Beach e media 4,5 metros. Todos os animais com mais de três metros foram abatidos.

O governo australiano quer agora autorização do parlamento para prolongar o programa de abate de tubarões para os próximos três anos, mas os partidos da oposição consideram que as tentativas para justificar o abate são «um absurdo total».

A líder dos «verdes», Lynn MacLaren, disse à ABC News que não há relatos de ataques fatais de tubarões-tigre há quase 100 anos e que a redução da espécie nas águas australianas «não contribui em nada para melhorar a segurança nas praias».

«Nós sabemos que o grande tubarão branco é o tubarão que tem sido implicado em mortes de seres humanos na nossa costa, e nenhum grande tubarão branco foi capturado durante todo este programa», afirmou.

O porta-voz do Partido Trabalhista, Dave Kelly, sublinhou que a política de abate de tubarões se tornou «muito impopular». «Do programa não resultou a captura de nenhuma das espécies de tubarões a que se destinava e o governo não apresentou qualquer prova científica de que a política está a funcionar», acrescentou.

Mas Ken Baston, o ministro das Pescas da Austrália Ocidental, defendeu que tanto o rastreio, como o abate de tubarões estão a «contribuir em muito para o conhecimento científico» e «a restaurar a confiança entre os banhistas, surfistas e mergulhadores».

«O custo humano de ataques de tubarões nos últimos anos tem sido muito elevado», afirmou o ministro. «A nossa política cuidadosamente executada tem por alvo as espécies de tubarões mais perigosas conhecidas nas nossas águas - branco, tigre e tubarões touro», defendeu.

«Embora nunca saibamos se algum dos tubarões capturados alguma vez atacou um ser humano, este Governo colocará sempre em primeiro lugar o valor da vida humana», rematou.