O tribunal do Huambo condenou esta terça-feira o líder da seita angolana “A luz do mundo”, Julino Kalupeteka, a uma pena de prisão de 28 anos de cadeia pelo homicídio de nove polícias em 2015.

Além de Kalupeteka, sete dos seus seguidores foram condenados a penas de 24 anos de cadeia e outros dois a 16 anos, escreve o jornal angolano Rede Angola.

Os dez elementos da seita receberam penas que totalizam mais de 200 anos de cadeia pelo homicídio dos nove polícias, com a defesa a recorrer denunciando condenações acima dos limites legais.

A TVI emitiu em setembro, no repórter TVI, uma reportagem sobre esta seita, que já havia, na altura, custado a morte a, pelo menos, 22 pessoas - nove polícias e 13 fiéis seguidores. 

A acusação do Ministério Público concluiu que a 16 de abril do ano passado, antes do crime que levou à morte de nove polícias e 13 fiéis, os elementos daquela seita prepararam machados, facas e mocas para atacar os “inimigos da seita mundanos”.

Kalupeteka, de 46 anos, estava detido preventivamente desde a altura, mas sempre negou a autoria dos confrontos ou dos actos de violência que terminaram com a morte dos agentes da polícia, que o tentavam prender.

O julgamento decorreu entre janeiro e fevereiro e a sentença deveria ser sido conhecida a 30 de março, mas foi adiada.

No ano passado, a ONU já tinha pedido um inquérito "independente e imparcial" às mortes em confrontos com seita angolana.

A profecia "A luz do mundo" convenceu milhares de fiéis que o mundo acabaria em 2015. Ao longo de vários anos, Kalupeteka ditou as suas regras. Por exemplo: não aceitar o Censo populacional, não deixar as crianças da seita frequentarem a escola, proibir a ingestão de frescos, bolachas e congelados; quanto a carnes e peixes, só se devem comer os animais que se viram matar ou pescar. Por causa destes comportamentos, registaram-se vários confrontos entre os fiéis de Kalupeteka e a polícia, no início de 2015, nas províncias do Bié e de Benguela.